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Memórias do Futuro!

por 29 de Setembro de 2014O Sporting lá fora, Os textos do Damas0 Comentários

Há uns anos atrás vivi um medo que, embora causado pela minha consciência, tinha tanto de real como de preocupante pela altura do Euro 2000. Que destino espera a Seleção Nacional após Figo arrumar as botas? É certo que tínhamos outros valores em cima da mesa com um conjunto repleto de qualidade mas o alarme soou mais determinado, dois anos mais tarde, depois de termos saído da Coreia do Sul com uma mão cheia de nada engolidos pelas expectativas que tínhamos outrora criado.

Apareceram então Cristiano Ronaldo, Simão Sabrosa, Quaresma e Nani entre outros, nem todos com a mesma consistência no passar do tempo mas consegue notar-se de longe quem tem tido um papel mais dominante quando se fala de Portugal nos 4 cantos do mundo. Agora o medo já nos prepara para os próximos 4-6 anos quando a questão que se colocar for: – E depois de CR7? Teremos a Seleção das Quinas consistente q.b. para nos levar longe nas competições ou, além do crescendo de promessas do futebol em países como a Sérvia, Suiça, Gana ou até México, os “tickets” disponíveis serão ainda mais difíceis de conquistar?

É com algum agrado que passo pela página do MaisFutebol e encontro um artigo sobre Alexandre Manuel Correia da Silva e a sua tese acerca da (ainda) baixa utilização de jogadores Sub-21 nacionais nas principais competições nacionais. Como factor de comparação tomaram-se como exemplos principais a Alemanha, a Espanha, a França e a Itália. Ainda estamos a grande distância destes colossos no que toca a resultados práticos mas o retorno das equipas “B” ao quadro competitivo nacional de há uns anos para cá fez com que o caso não se agravasse tanto. Tirando o caso da Noruega, todas as selecções apuradas para 2015 têm largos minutos de jogo, nas suas principais ligas, dados aos jogadores. Alexandre Silva é apenas o adjunto de Rui Jorge nos Sub-21 e este estudo pode ser uma salvaguarda do património português, se for levado em conta de forma séria e competente por parte de quem alguma coisa pode mudar.

Alexandre não se fica apenas por identificar os factores desfavoráveis, apresentando 4 pontos de mudança que despertarão certamente interesse em todo o conteúdo nacional:
1) No espaço de dois anos, as equipas B teriam de passar a usar na ficha de jogo um mínimo de 14 jogadores formados localmente, contra os 10 atualmente em vigor;
2) Em tempos de racionalização de custos deverá existir um incentivo financeiro à utilização de jogadores selecionáveis sub-21 na I Liga;
3) Os jogadores de equipas B com idade senior que em duas épocas não tenham cumprido 10 por cento dos jogos «tenham o direito de serem cedidos temporariamente»;
4) Fomento do modelo de equipas propondo a possibilidade de criação de novas equipas B que seja aberta a todos os clubes da I Liga. (seriam necessárias limitações quanto a subidas e descidas para respeitar o limite de equipas a disputar a II Liga).

Ainda bem que este medo me é causado pelo modelo geral competitivo português e não por acções individuais do meu clube do coração. O Sporting Clube de Portugal é e há de ser um maior exemplo de sustentabilidade no que toca à sua boa gerência de recursos profissionais (os jogadores principalmente) numa altura em que ainda temos grande percentagem de estrangeiros a actuar no campeonato nacional. Certamente irei ficar mais descansado com “explosões qualitativas” de jogadores como o Mané, o William, o André Martins ou o João Mário entre muitos outros mas o nosso segundo clube (esse Portugal) não poderá esperar que sejamos o salvador único da pátria quando os Fundos acabarem ou os Ronaldos se retirarem.

A Seleção Portuguesa vive agora um momento de preocupação depois daquele treino de eficácia que a Albânia nos deu na nossa casa e aquela coisa de renovar o grupo passou para segundo plano com as pré-convocatórias de Ricardo Carvalho, Tiago, José Fonte, Danny, Manuel Fernandes e mais algumas caras conhecidas. Para já o que interessam serão mesmo os resultados e esperamos que o tal dossier de renovação gradual não fique arrumado numa qualquer gaveta. É com uma mentalidade assim que alguns clubes se têm apresentado com poucos ou nenhuns portugueses nas competições lusitanas.

Cabe-nos cumprir os nossos objectivos verde e brancos a começar já amanhã por esse tão esperado embate com o Chelsea. O nosso Mind-Game é o do costume. Uma equipa maioritariamente formada por pérolas da casa com todos os restantes jogadores a completar a qualidade de um plantel cheio de vontade de ganhar em cada jogo. E se já ontem, Portugal, mostrou à esfera desportiva a força do trabalho ao ser campeão europeu de Ténis de Mesa frente a uma Alemanha hexacampeã consecutiva porque não mostrarmos amanhã em Alvalade que alguns milhões de Euros podem ser um degrau mas que um projecto consistente vale por uma escada?

Parabéns ao Ténis de Mesa português e parabéns ao Sporting! O resto só o futuro dirá…