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Habemus Sporting

por 27 de Setembro de 2014À saída do estádio0 Comentários

Já dizia um dos maiores locutores desportivos portugueses de sempre, se não o maior mesmo, Jorge Perestrelo: “ É disto que o meu povo gosta!”. Se Perestrelo fosse vivo e nos tivesse dado o prazer de o ouvir relatar o jogo de ontem, certamente que esta mitica frase teria vindo à baila uma mão cheia de vezes, principalmente naqueles primeiros 20-25 minutos do desafio. Em quatro palavras: Que show de bola! Há muito que não via o Porto tremer das varas como tremeu ontem, e mesmo que eles fossem 20, seriam sempre poucos para parar a avalanche de ataque que a nossa malta descarregou sobre aquelas pobres almas. Lopetegui, era a cara do desespero dos azuis e brancos, que sempre que era filmado pelas camaras, dava a impressão de que iria desmaiar a qualquer momento e cair redondinho no chão. Certamente que deve ter pensado para si próprio várias vezes qualquer coisa como: Si alguna vez en mi vida yo pensé que iba a tomar uno baño de balón como éste.

Penso que não será crime nenhum dizer que, na sua melhor fase do jogo, o Sporting podia (e devia) ter feito pelo menos 3 golos, oportunidades não faltaram para que isso acontecesse. Por tudo o que fizemos, principalmente na primeira parte, o resultado ao intervalo não espelhava, nem por sombras, aquilo que se passou na primeira parte. Arrepio-me sempre que me lembro do “jogadão” de Carrillo, que depois de sacar dois peões no meio de dois portistas, ainda voou com a bola por cima de último adversário, endossando-a para Nani, que depois de matar o esférico no peito (e aqui já estava eu em pé em modo histérico a gritar golo) falhou apenas no momento do remate, oferecendo a bola a Fabiano. Armando-me um bocado em Freitas Lobo, era um daqueles golos digno de ser encaixilhado e pendurado na parede de um museu. Foi sem dúvida a melhor jogada do jogo, uma autêntica obra de arte assinada por “La Culebra”, que tanto pânico espalhou por aquela defesa adversária. E por falar em pânico, desconfio que a baliza Vitor Damas, ainda esteja a abanar a esta hora depois do tiro que Capel mandou na trave. Que golaço que aquilo era (mais uma vez lá estava eu em pé em modo histérico a gritar golo). Vinha na hora certa e de forma categórica (voltou a faltar sorte).

Muitos disseram que o Sporting de Barcelos tinha sido o melhor desta época, para mim, o Sporting de ontem – principalmente na primeira parte – foi seguramente o melhor Sporting que vi nos últimos anos. Aquilo que fizemos ontem, se o fizermos em todos os jogos do campeonato e das restantes competições, com a mesma entrega, a mesma vontade, a mesma garra, a mesma confiança, independentemente de quem seja o adversário, desconfio que vamos ter ainda muitas alegrias esta época. Não posso dizer que não fiquei triste com o resultado porque fiquei, sinceramente, ainda o tenho atravessado na garganta, mas aquilo que vi ontem deixa-me suficientemente confiante para tudo o que está para vir. Doeu perder dois pontos num jogo (mais uma vez) em que fizemos tudo para ganhar, mas Marco Silva e seus pupilos têm motivos para estar orgulhosos e optimistas quanto ao futuro. Até porque estes dois últimos revelaram ser muito produtivos, não só em termos de um aumento da qualidade de jogo, como no facto de termos ganho dois titulares (indiscutiveis) para duas posições que estavam claramente a precisar de alternativas, falo de Jonathan (dois jogos e um golo marcado já) e João Mário, claro. Bem vindos ao onze titular, contamos convosco.

Para terminar, aquilo que vou dizer agora, e não querendo atribuir qualquer tipo de culpa a Sarr que teve a infelicidade de fazer um autogolo quando tentava aliviar a bola para canto, está a vista de todos. Julgo que o sector central da defesa é claramente o mais carenciado neste momento. Não que ontem, tenha havido grandes falhas, muito pelo contrário, Mauricio foi imponente e deu tudo o que tinha (como é habitual nele) e Sarr esteve bem também, mas precisamos de ter mais qualidade na saída com bola, não podemos apenas depender de William para iniciar a construção, temos de ter centrais com boa capacidade de passe e neste momento não temos isso.