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Desacreditar? Isso não é para nós!

por 19 de Setembro de 2014Os textos do Damas0 Comentários

Reparo que, um pouco por toda a parte, muitos Sportinguistas se insurgem contra as criticas – fundamentadas e por vezes construtivas -, de outros Sportinguistas. Ficam nervosos, até mesmo, um pouco alterados quando se aponta o dedo a Marco Silva.  Não é menos verdade, que também se lê muita budega de opinião. Alguns, os agoureiros da desgraça, já vaticinaram que esta época esta condenada ao desastre. O quinto lugar, é o nosso destino, na primeira eliminatória da Taça de Portugal, saltamos fora e, nem o apuramento para a Liga Europa, vamos ser capazes de garantir.

Para estes, a solução é pragmática: silêncio. Não vale a pena discutir quando o argumento assume contornos que chegam a roçar o rídiculo: “Estes gajos, são muita fraquinhos pá… Este presidente, tem a mania das grandezas, agora lixa-se! E já viste o Marco Silva, meu? O gajo deve pensar que isto é o Estoril!”. Um conselho que vos dou, Sportinguistas críticos e parte activa do clube: Ignorem estes comentadores de redes sociais. Na realidade, nem um chavo gastam em prol do Sporting, porém, não perdem uma oportunidade para mandar uns bitaites nos diferentes grupos do Sporting no Facebook.

Posto isto, vamos ao tema: Marco Silva e a equipa.

Não podemos fazer um juízo de valor sobre o que se está a passar na equipa do Sporting? Constatar fragilidades e debater soluções, não faz parte do livre arbítrio no universo sportinguista?

– Dizer que o Sporting é inconsistente na sua forma de jogar, é apontar o dedo? 

– Não perceber a razão da insistência em André Martins e a não utilização de alguns jogadores, é apontar o dedo?

– Afirmar que Maurício, este ano, é um central que provavelmente não preenche os requisitos para as novas exigências do clube, é apontar o dedo?

– Questionar o porquê do Sporting não conseguir acertar mais vezes no fundo das redes, é apontar o dedo?

A resposta para as quatro perguntas: Não, camaradas leões. Não é apontar o dedo, é colocá-lo mesmo na ferida!

Em Coimbra, era por ser a primeira jornada. Frente ao Arouca, com um golo caído do céu disfarçou-se uma exibição amorfa. Frente ao eterno rival, terá sido porventura, a melhor exibição. Contra o Belenenses, mostrou-se demasiado pouco. E frente ao Maribor, uma equipa (que como diz e bem, Manuel Fernandes) das mais fracas da “Champions”, o Sporting voltou a demonstrar em certos momentos do jogo alguma apatia e muita passividade sobretudo no meio campo. Sem ideias e sem um fio condutor no seu futebol, o Sporting parece, por vezes, desligar o interruptor da intensidade e com isto provocar um curto-circuito no “quadro eléctrico” desta equipa.

Na altura de Leonardo Jardim, ainda estava presente na memória dos adversários que era possível jogar de igual-para-igual e ganhar. Agora com Marco Silva, as equipas estacionam o autocarro e tentam arranjar um “pontinho”, mesmo que isso implique jogar com onze atrás da linha da bola e muitas das vezes, descontextualizadas daquilo que são as normas do fair-play.

O Sporting de Marco Silva, dá primazia à posse de bola mas a máquina montada por Leonardo Jardim e que funcionou em simbiose perfeita, não está capaz de produzir com tanta beleza e qualidade. Um pouco por culpa de toda a equipa mas, principalmente, pela inoperância do meio campo. William, não está naquele ponto rebuçado que nos habituou, Adrien parece estar fatigado e a precisar de descanso e André Martins, jogador que muito respeito, é um elemento a menos na equipa e em todas as componentes do jogo.

O camisola 8 do Sporting, tem e sempre teve, um grande handicap: a compleição física. André Martins, é raçudo, no entanto, não o suficiente para se impor e levar de vencido os lances em que participa. Franzino de corpo, tenta evitar o confronto directo com o seu opositor, apostando na velocidade mas…futebol, não é atletismo. A jogar numa posição em que se exige muito de espontaneidade e criatividade, André Martins esconde-se. Não faz o ultimo passe, não tem meia distância e não provoca desequilíbrios. Neste momento, Marco, o Sporting necessita de mudar. E tu, se deixares de ser casmurro, tens três opções para sentires os efeitos práticos de uma mudança no futebol da equipa. Falo-te de João Mário, Carlos Mané e Fredy Montero.

O futebol do leão rampante, têm-se mostrado vazio de ideias. Ainda que, na esmagadora maioria dos jogos, o onze seja praticamente idêntico ao do ano anterior. Compreendo que ofensivamente, ainda estamos à procura do melhor entrosamento e estou igualmente convicto de que com trabalho e dedicação, mais tarde ou mais cedo, os golos vão regressar e em doses industriais. É uma questão de afinar a pontaria nos mais de 20 remates por jogo.

Gostava de estar tão optimista em relação ao eixo da defesa. Admito que não seja fácil perder Rojo e ficar sem o homem ( garoto) que estava pronto para assumir a defesa. Este caso, terá sido um enorme revês na preparação para a nova época, ainda assim, muito a tempo, para Augusto Inácio e Bruno de Carvalho conseguirem encontrar um central de créditos firmados e alguma experiência internacional. Defensivamente, este Sporting apresenta nuances tácticas diferentes daquilo que se fazia com Leonardo Jardim. Uma delas, prende-se com o facto do sector defensivo colocar-se mais subido no terreno. Se por um lado podemos recuperar a bola em zonas mais avançadas do campo, por outro,  em caso de perda de bola, a equipa fica mais vulnerável de ser apanhada em contra-pé.

Aqui pode estar um «bico de obra» para este Sporting de Marco Silva. Esta dupla de centrais, parece-me muito lenta. Se, no francês Sarr, acredito que exista uma margem de progressão tremenda, o mesmo não consigo vislumbrar em Mauricio. “Então mas o ano passado não era o maior?” Não. Maurício, a quem muito agradeço o empenho e dedicação ao longo da época passada, não é um central com categoria para jogar num Sporting que se assume candidato ao titulo. É um jogador esforçado, que dá o que tem, contudo apresenta lacunas graves e em jogos de alta competição, é provável que o erro de quarta-feira não se trate de um caso isolado (espero que sim e ainda falta conhecer Rabia).

No Domingo, em Barcelos, o treinador leonino vai ser obrigado a utilizar novos reforços. Para o onze, é quase certa a entrada de Jonathan Silva para o lado esquerdo – Jeffreson está castigado – e, um dos nomes que acima enumerei será provavelmente, o substituto de André Martins. Nesta lista de reforços, penso que Tanaka e Gauld, deviam acumular minutos na equipa A para podermos fazer uma avaliação concreta sobre aquilo que realmente podem e têm para oferecer ao nosso futebol. Quanto aos restantes terão que continuar a trabalhar para entrar no onze e esperar por uma oportunidade.

Frente ao Gil Vicente, para a frente de ataque, escolheria Montero no apoio a Slimani por variadas razões: Foi o último “estádio” onde marcou, porque é um dos jogadores mais dotados tecnicamente do plantel e porque com a sua entrada directa no onze, Marco Silva, transmite um claro sinal de que quer ganhar e fazer golos.

E é disto que o Sporting precisa, golos e vitórias! Nós, e sei que estou a dar voz a muitas opiniões Sportinguistas, não deixámos de acreditar em vocês! Continuamos aqui de corpo, alma e coração. Quanto a ti, Marco Silva, espero que esse teu lado mais intimo com os jogadores, não te empurre para o mesmo caminho que o nosso “Ricardo Coração de Leão”. Os adeptos continuam a acreditar em ti, na equipa e no Presidente. Juntos somos mais fortes. Juntos somos o Sporting clube de Portugal.