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Já não se usa esse tal “amor à camisola”

por 1 de Agosto de 2014Os textos do Damas0 Comentários

São cada vez menos os jogadores que dedicam a sua vida a um clube; Aqueles que não se interessam só por milhões e que sentem amor à camisola, aqueles que beijam com sentimento o emblema que ostentam ao peito, aqueles para quem isto é muito mais do que um clube… practicamente desaparaceram com a modernização do futebol.


Lembro-me de ser pequenino e o meu sonho ser jogar no “Mágico”, e quando me perguntavam onde gostaria de jogar se fosse jogador de futebol, o meu coração começava a bater mais depressa e embrulhado nos meus delírios de criança, carregados de amor e paixão, faziam-me responder em alto e bom som: no Sporting!  Jogar neste clube era o sonho de uma vida. Vestir esta camisola, vestir a camisola do clube do meu coração era uma honra e um privilégio. Nunca concretizei esse sonho, não quis o destino que fosse um grande jogador, mas continuo com a mesma ideia de que se um dia tivesse entrado em Alvalade para defender as cores do Sporting, nunca mais ia querer sair. Haverá algo mais gratificante do que fazer o que gostamos e ao mesmo tempo defender o símbolo que amamos desde sempre? Sinceramente não me parece que exista.

Os mercados de transferências e os valores das mesmas, assim como os contratos milionários assinados pelos jogadores mudaram muito o futebol e os seus intervenientes. Hoje, o futebol é acima de tudo um negócio, a paixão pela modalidade deu lugar ao amor pelo dinheiro, não interessa a camisola que se veste mas sim o valor que nos pagam para a vestir. Não vale a pena criarmos ilusões quanto a este assunto.  Falando em concreto dos "nossos", jogadores como Peyroteo, Travassos, Vitor Damas, Manuel Fernandes, Ricardo Sá Pinto... são cada vez mais uma miragem. O caso Dier foi mais um episódio de uma série mais que batida, cujo o final é previsível. Dier acabará como um Pedro Mendes ou um Ilori desta vida. Depois de tanta conversa sobre amor e querer continuar no Sporting, na primeira oferta que cumpriu os requisitos exigidos no contrato (Godinho e prisão, não combinava bem?), o jovem central faz as malas e compra bilhete para Londres, sem hesitar ou pensar no clube que o acolheu desde os 9 anos de idade. É triste, no mínimo...

Ora, sem amores destes passamos nós bem. Diz o ditado que não devemos dar um passo maior do que a perna, ou que quem tudo quer tudo perde, e são cada vez mais os jogadores -com potêncial - que optam por “dar o salto” precocemente, acabando por ser emprestados a outros clubes de dimensões e aspirações bem mais modestas. (Bruma, estás aí?)

Dier ainda não era um titular absoluto, não o foi na época anterior e, caso Rojo se mantenha no plantel, Dier seria sempre uma alternativa. Uma alternativa com qualidade e muita margem de progressão, é certo, mas ainda assim, uma alternativa. Desperdiçou a possibilidade de jogar uma Liga Dos Campeões, de disputar um campeonato e duas taças por uma equipa que é claramente candidata a vencer competições, para representar uma equipa que, com todo o respeito, não irá entrar nas contas para ganhar nada. Sinceramente, julgava este miúdo mais inteligente. E apaixonado também. Afinal, nem uma coisa nem outra.

Amor à camisola? Isso já não se usa!

Sporting, tu vais vencer!