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Não fazes o que eu digo mas farás o que eu faço!

por 23 de Julho de 2014O Sporting lá fora, Os textos do Damas0 Comentários

Com alguma naturalidade assistimos ao Campeão Mundial de Futebol 2014 como sendo a selecção que menos surpresa causou no seu trajecto. Embora com jogos mais ou menos difíceis os alemães foram subindo os degraus do torneio com a frieza, a táctica e alguma raça que os caracteriza. Olhando para a final disputada no dia 13 de Julho até que apontei baterias à Argentina que a bom sofrer, e por mérito próprio teve direito a disputar o derradeiro jogo, ainda mais por ter Marcos Rojo como aposta na identidade do conjunto Alviceleste.

Mas o porquê de falar agora da Alemanha e do seu futebol? Bem, naquele mítico ano de 2000 em que Portugal deu a volta à Inglaterra no primeiro jogo (3-2 depois de estar a perder por duas bolas), sofreu para ganhar por 1-0 à Roménia e despachou no final da fase de grupos a selecção Mannschaft por 3-0 com o agora treinador do Braga em destaque, o país alemão mergulhou numa introspecção acusando a fraca prestação no Europeu Benelux. A Liga e a Federação iniciaram assim uma reforma para todos os clubes do 1º e 2º escalão que os obrigou a desenvolver academias de formação com bases em infraestruturas, programas de educação para os jogadores, metodologias de optimização do rendimento desportivo e contratação de técnicos especializados.

Após combater o excesso de jogadores estrangeiros, maioritariamente causado pela sobrevalorização da Lei Bosman, uma empresa independente passou a avaliar de 0 a 3 estrelas todas as academias e, em função da nota dada, recebiam um prémio sem custos nem para a Liga, nem para a Federação, pois o mesmo era oriundo de uma verba do Fundo de Solidariedade da Liga dos Campeões. O resultado dos últimos anos, tanto em torno da Selecção como dos clubes fala por si. Em média, cada equipa da Bundesliga tem 15 jogadores no seu plantel principal proveniente das academias de formação, 36 clubes profissionais da Bundesliga possuem hoje cerca de 282 equipas de formação, Ainda hoje, existe uma média de 20% dos jogadores que actuam no clube que os formou.

Embora cá em terras lusitanas a ideologia seja outra, sobressai à vista de qualquer um o clube que mesmo sem as "tais ajudas" do "tal sistema", insiste na formação. E como o Sporting Clube de Portugal não é o único clube do mundo que os forma também investe em pérolas por lapidar. Um belo exemplo dos diamantes (ainda) em bruto é o jovem escocês Ryan Gauld que, já tem o peso do mundo às costas, mas que o Sporting certamente saberá lançar aos tubarões na altura certa. Até lá a protecção passa por não lhe deixar a fama atravessar no caminho do trabalho já que todos depositamos grandes esperanças no Mini-Messi mas queremos também uma mais valia para as nossas metas.

Tal como falado já inúmeras vezes, a proactividade do clube leonino irá certamente contagiar outros clubes mas se calhar apenas nos darão razão na altura do seu colapso. Logo veremos...
É certo que nas Alemanhas e nas Inglaterras a média de público dá uma coça brutal ao que se passa em Portugal. Também é certo que nas 20 maiores médias mundiais de público em estádios os escalões secundários alemães e ingleses também dão coças a muitos países amantes de futebol. Por cá, como não temos direito a tais benefícios, até porque a Crise já é de há muito, lá vamos remediando com regras à aleatoriedade dos sorteios dos campeonatos profissionais. Chamemos-lhe... The Portuguese System!

Mas para o mal do futebol ainda dependemos muito dos empresários e de alguns egoísmos. Volto a falar no livro do ex-jogador Fernando Mendes que, além de retratar alguns casos de doping (do tipo meter substâncias antes de grandes jogos europeus e ainda hoje há futebolistas campeões do mundo a pensar como perderam todos os lances para o modesto lateral esquerdo), relatou também como se fugia aos controlos (no sistema antigo era o fisioterapeuta que tirava uma bola com o número seleccionado do saco mas quem tinha tomado o suco do além teve direito a que as ditas fossem passar umas horas ao congelador para se diferenciarem à mão). Expondo estes e outros casos aproveitou ainda para falar dos empresários em Portugal já que não interessava minimamente a qualidade de um jogador desde que o negócio envolvesse comissões para todas as partes. O resultado final foi um campeonato nacional que tinha mais estrangeiros a jogar que portugueses na bancada.

Quem sabe se não será já este ano que o nosso trabalho trará os nossos resultados. Além do mais o vender para pagar contas ficou fora de moda e as pressões financeiras acabam por passar para os jogadores. O tal "sistema" do qual falamos ainda não consegue dar um exemplo ético para os intervenientes. Talvez o Sporting Clube de Portugal acabe por dar... ou os seus resultados práticos num futuro próximo!

 

Verde, logo existo!