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Época nova ou nova época? (e o mini-Messi)

por 2 de Julho de 2014Os textos do Damas0 Comentários

O Sporting viveu ontem mais um dia de festa e de união. A Gala Honoris Sporting, em que se celebraram os 108 anos do clube, não trouxe grandes surpresas, com prémios para figuras como William Carvalho (Jogador Revelação do Ano e Melhor Futebolista do Ano), Leonardo Jardim (Trienador do Ano) ou Nuno Dias (Treinador Modalidades do Ano), mas serviu, acima de tudo, para engrandecer a instituição com um encontro merecido entre todos os que, todos os dias, constroem o universo Sporting Clube de Portugal.

Uma gala de consagração e com memória, com Prémios de Honra para Joaquim Agostinho (Ciclismo), João Pina (Judo), Carlos Lopes (Atletismo) ou para os Campeões da Taça das Taças 1963/64 (Futebol), mas que deu também indicações sobre aquilo que se pretende para o futuro próximo de um clube que, há não muito tempo, teve de fechar a torneira, recorrer a um plano de austeridade interna e reerguer-se económica e desportivamente para evitar a ruína diante do país.

Bruno Carvalho chegou, viu e… resolveu. Até agora, ao contrário do que acontece nas modalidades, a equipa de futebol ainda não foi brindada com a vitória em qualquer competição, mas a verdade é que o líder leonino tem cumprido com o discurso pré-eleitoral e, até ao momento, tem merecido os holofotes que lhe são apontados, para alívio de milhões de corações verde-e-brancos.

Posto isto, a nova época está a ser acompanhada com a maior das expectativas. Mais responsabilidade, uma Liga dos Campeões para disputar, um Campeonato para atacar, caras novas, equipamentos novos, novos patrocínios e até uma nova voiture para transportar a rapaziada. Já estamos a imaginar Carlos Mané, João Mário e André Martins, no banco de trás, a dar uns valentes calduços no Ryan Gauld, enquanto cantam: «Senhor condutor ponha o pé no acelerador!».

Gauld tem apenas 18 anos, joga com o pé esquerdo, é relativamente baixo e leve como uma pena. O escocês é mais uma daquelas referências do Football Manager, mas não engana. O ‘baby-Messi’ é bom de bola. Só não vê quem não quer. E explica até o porquê da preferência na hora da mudança: «Eles têm a melhor cultura futebolística para o meu estilo de jogo». Espera-se, por isso, futebol de ataque em Alvalade e o contrato de 6 anos, consumado por mais de 3 milhões pagos ao Dundee United diz tudo, em matéria de expectativas: a direcção espera muito da nova contratação.

No que diz respeito ao plantel, e às entradas e saídas, a época ainda agora começou e o plantel já mostra um aparente rol de soluções que parece tranquilizar os mais cépticos. Senão, vejamos, com o auxílio do plantel disponibilizado no site oficial.

Na baliza, Rui Patrício, que provavelmente se manterá como muralha junto às redes leoninas, e Boeck garantem qualidade. Na defesa, à excepção da provável saída de Rojo, pouco muda. André Geraldes luta por um lugar com Cédric; Paulo Oliveira vem rivalizar com Rojo, Maurício e Dier no centro da defesa; na esquerda, Mica Pinto vai espreitando a possibilidade de vir a integrar o plantel, na ausência de rival à altura de Jefferson. Rúben Semedo e Nuno Reis continuam a ser a maior incógnita, no que diz respeito à possibilidade de conseguir emprestar a qualidade pretendida para o lugar.

No meio-campo, Oriol Rosell, Slavchev e João Mário vêm para dar mais luta a Adrien William e André Martins do que aquela que foi sendo travada por Vítor. O ex-Paços de Ferreira mostrou enormes dificuldades na hora de agarrar o lugar e, com as novas contratações, é mais um nome para colocar no mercado de Verão. Chaby está è espreita, Rinaudo pode regressar ou servir de moeda de troca, Gauld pode ser 10, Zezinho parece continuar a não figurar como opção. É esperar para ver o que os primeiros jogos da pré-época nos vão dizer, mas a verdde é que a saída de William pode ditar muito da performance da equipa. Augusto Inácio já deixou, no entanto, o aviso ao Shark Tank mundial: «Se quiserem William, têm de pagar bem».

As alas são, a bem dizer, a maior fonte de preocupação para a estrutura leonina. Héldon não convence, Wilson Eduardo também não e Diogo Salomão parece cada vez mais afastado do início promissor. Shikabala, apesar dos dotes de mágico apontados por meio mundo, é ainda uma incógnita, Carrillo é susceptível a humores e Capel está cada vez mais perto de sair. Em jeito de resumo, sobra Carlos Mané que, no final da época passada , até foi mais 10 do que um extremo que cruza e que dá largura ao jogo da equipa.

No ataque, há Montero, há Slimani e há…Tanaka! Percebemos, pelas revistas e comentários, que o colombiano foi pai e que tal influenciou o rendimento na segunda metade da época; e tomámos consciência, por via das exibições no Brasil, de que Slimani é um ponta-de-lança sério e que não se deixa intimidar pelos centrais do topo do futebol mundial. Tanaka? Tanaka é Tanaka. É o Tsubasa com que todos sonhámos um dia e, agora, resta-nos esperar para ver. É franzino como todo o japonês, é esquerdino e não se atrapalha com a bola nos pés. Por 500 mil euros é difícil conseguir muito melhor.

Os dados estão lançados e a equipa está motivada e ciente da responsabilidade. «A nossa dimensão é enorme. O ano passado fizemos uma recuperação fantástica e este ano queremos algo mais», diz Marco Silva, que, para os mais desatentos, explica o porquê de uma gala com pompa e circunstância: «É importante começar numa data como esta para os jogadores perceberem a dimensão do clube. É neste tipo de iniciativas que se percebe». E esse, foi um erro crasso das últimas direcções. Mostrar a tudo e todos um clube subalternizado, secundarizado perante os rivais a norte e da capital, desconfiando da própria força, ao mesmo tempo que se diziam representantes de um clube que move milhões, como o Sporting Clube de Portugal.

 

O Sporting somos nós!