Manual de como trocar as mãos pelos pés

por 5 de Maio de 2014À saída do estádio, Mão Verde, Os textos do Damas0 Comentários

Sol, praia e calor. Está ai o verão a bater à porta! Jogo ao fim da tarde de sábado, jogo a feijões e com a época resolvida, seria difícil arranjar argumentos para que o encontro tivesse algum interesse.

E diga-se de passagem que a equipa de Leonardo Jardim, também aproveitou o bom tempo na choupana para passar umas mini-férias de 90 minutos. Também levou um “banho”, especialmente na primeira parte, cansou-se pouco, não mostrou vontade, até deu a sensação que alguns jogadores estavam de havaianas nos pés e chapéu de palha na cabeça. O que fica deste encontro, é a imagem de um futebol desidratado, molengão e entediante, por parte da turma de Alvalade.
O jogo na Madeira foi um autêntico convite para qualquer adepto do futebol espectáculo, largar a televisão e a colocar os calções de banho para um mergulho no mar. Digo bem, qualquer adepto do futebol espectáculo, porque um Sportinguista tinha todos os motivos para estar preso à televisão, ao computador, ao Ipad, ao telemóvel, ou a outra coisa qualquer em que fosse possível ver os bravos leões do andebol a jogar frente ao Fc.Porto.

Na primeira parte, sem saber ler nem escrever, chegamos ao (auto) golo. Caído do céu e sem fazer nada por isso, o Sporting ia vencendo sem mérito nem brio. A norte do pais, e com a bola nas mãos a turma de Francisco Santos, continuava a travar a sua batalha com honra e dignidade. Numa partida muito taco-a-taco, o Sporting chegou ao intervalo a vencer por um golo de diferença. Se de um lado Rui Patrício, era o melhor elemento em campo, do outro também era o Rui, mas o Silva, que se destacava com uma fantástica prestação nos primeiros 30 minutos.

Sem o saber, pensava eu, tinha encontrado o antídoto para não me enervar a ver o futebol. Enquanto Leonardo Jardim brincava aos jogadores, eu focava-me no que se passava no "Dragão caixa". Desligava a TV quando o Magrão tinha a bola, porque preferia ver o Fábio Magalhães a disparar uns bilhetes dos 9 metros, trocava de forma instantânea os meus olhos quando observava que Carrillo,(estavas com pressa para seres barrado no Lux?!) estava a fazer um frete em estar ali para focar a minha atenção na eficácia do matador Portela, e quando via que a bola estava no corredor esquerdo, tomava mais atenção a Pedro Solha porque o Jefferson ainda estava cheio do rodízio.

Pontos em comum nas mãos e nos pés? Só no resultado e na posição de guarda-redes. Rui Patrício no futebol e Ricardo Candeias no andebol, são sinónimos de qualidade e garantia de pontos. Em tudo o resto, a equipa de andebol dizimou a de futebol. Mais garra, mais vontade, mais coragem, mais empenho, mais atitude, mais tudo.

Na segunda parte, apareceu o empate na madeira. Mais que esperado e mais que justo, a equipa de Manuel "Machadês", chegou com naturalidade ao golo, após uma jogada que curiosamente é precedida de falta, mas tudo bem, até parece que isso já são fait-divers... Mesmo num jogo sem objectivo, para lá do "honrar a camisola", o árbitro conseguiu não ver uma grande penalidade cometida sobre Capel. Chego mesmo ao ponto de pensar que isto já faz parte da ementa das arbitragens frente ao Sporting...

Voltemos ao que interessa: Um ambiente de cortar a faca, um jogo electrizante, sempre com a toada do ora marcas tu, ora marco eu, o Sporting, acabou empatado a 28 golos em casa do actual campeão nacional e primeiro classificado do campeonato. Foi mesmo ao cair do pano e numa recuperação de bola que o Sporting conseguiu arrancar um empate que não serve para embandeirar em arco, mas serve como prémio de consolação para uma equipa que nunca desistiu.
No futebol, já está tudo definido e nesta viagem à madeira não trouxemos nada mais que um ponto na bagagem. Agora falta um jogo em casa e nada pode alterar a classificação mas se houvesse uma mensagem para passar ao plantel de Leonardo jardim seria: Metam os olhos na equipa de Frederico Santos!

Sporting Sempre