Há Sporting para lá de Jardim

por 21 de Maio de 2014Os textos do Damas0 Comentários

Escrevo este texto com o coração embrulhado no misto de emoções. Triste, porque vejo partir o melhor treinador que o Sporting teve nos últimos 10 anos e seguro de que o futuro, mesmo sem Leonardo Jardim, passará por muito mais do que um segundo lugar.
A história que tão alegremente se escreveu ao longo deste ano acabou de maneira simples: O Mónaco viajou a Lisboa, trouxe um malote cheio de milhões e ofereceu a Leonardo Jardim a possibilidade de ganhar num mês o equivalente a um ano no Sporting. Perante isto, o técnico madeirense meteu o seu sonho de criança numa gaveta, e num piscar de olhos, aceitou o convite. Leonardo Jardim, já não é mais aquele rapaz que um dia sonhou ser treinador do Sporting.

Na conferência de imprensa, o ex-treinador afirma que é um novo desafio na sua carreira. Pois eu discordo totalmente. Apesar das suas qualidades, e diga-se que são inúmeras, Jardim não foi à procura de um desafio. Treinar em França um clube sem identidade, sem carisma europeu, com uma massa adepta muito distante do que temos por cá, será um desafio? Competir com o Paris Saint Germain para ver quem tem mais jogadores e milhões para gastar, é um desafio?

Duvido que o seja. Leonardo Jardim colocou o lado emocional de parte e optou pelo lado racional e financeiro. É legítimo, está no seu direito e não o podemos condenar.

Mas, ao contrário do que aconteceu nos últimos anos, e contrariando o meu pensamento de tristeza/traíção enquanto adepto fervoroso e sensível no toca ao clube do leão, Leonardo Jardim merece entrar pela mesma porta que saiu: Pela porta grande!

Agarrou numa equipa totalmente estilhaçada e aos poucos e poucos, foi colando peça a peça até lhe conseguir dar uma nova imagem. Mesmo envolto em complicações a nível de plantel, Leonardo Jardim arranjou sempre solução. Devolveu-nos identidade, personalidade, ambição, atitude, querer, vontade, paixão e até a possibilidade de voltarmos a sonhar.

Fico triste. Via em Leonardo Jardim uma espécie de Jürgen Klopp ou de Diego Simeone. Nos incalculáveis sonhos de conquistas leoninas, era leonheart o homem que estaria no lugar certo, esboçando um sorriso enquanto os seus pupilos festejavam em campo a conquista de algo realmente importante. Infelizmente, não se contretizou o meu sonho, porém existe muito Sporting para lá de Jardim.

Também ao contrário do que aconteceu nos últimos 30 anos, o Sporting neste momento, é comandado por um homem que me reconforta a alma. Falo, claro está, de Bruno de Carvalho. Foi sublime a maneira como se despediu do ex-treinador leonino. Foi com muita elegância e transparência que passou a mensagem aos órgãos de comunicação social.

E é precisamente nesta direcção leonina que reside a minha zona de conforto. Há uns anos o Sporting precisava de um treinador em forma de salvador para voltar a colocar o clube nos eixos, contudo, neste momento, esse mesmo “salvador” tem outro rosto. A direcção do Sporting é o pilar que nos conduzirá ao êxito. Bruno de Carvalho, Augusto Inácio e Virgílio, são os homens fortes de uma estrutura que tem um projecto, e seja qual for o Treinador, esse projecto passa por devolver o Sporting ao topo do futebol português.

Deste lado, o maior património do Sporting continuará, como sempre, a apoiar o clube. Porque, como dizia o Senhor Anastácio, somos todos leões “até à ponta das unhas!”.