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Youth League? Então e a NextGen?

por 21 de Abril de 2014Os textos do Damas0 Comentários

Uns terão reparado, outros não. Este ano, o Sporting ficou de fora da competição internacional de sub-19. NextGen Series. É o nome do torneio que, entre 2011 e 2013, foi uma das maiores montras do futebol jovem europeu, apresentando ao velho continente nomes como Tiago Ilori Bruma ou Carlos Mané e que, apesar de, da primeira para a segunda edição, ter visto crescer o número de participantes, acabou por se esfumar.

Para além do Sporting, o torneio foi construído por formações como Ajax, Barcelona, Manchester City, Borussia Dortmund, Juventus, Inter, Liverpool ou Arsenal. Ao todo, 24 equipas convidadas enquanto embaixadoras da boa organização ao nível do futebol jovem. Entre os melhores emblemas da Europa, o Sporting, descrito como uma das bandeiras do torneio. Um exemplo na formação e uma ameaça constante na competição que, em 2013, viu os leões alcançarem o terceiro lugar, com uma vitória frente ao Arsenal e depois da eliminação diante do campeão Aston Villa.A notícia vem do verão, mas, nos últimos dias, depois de muitos meses sem pensar no assunto – e a reboque de toda a movida em torno da UEFA Youth League, com direito a transmissões televisivas com o selo TVI –, pensei: «Então e o Sporting e a NextGen?». Pois é, mesmo com o brilhantismo e os elogios colhidos durante as duas participações, os leões ficaram arredados da competição.
Mas, afinal o que é que se passou? Porque é que o Sporting não está na NextGen Series nem na UEFA Youth League? Porque é que, depois dos elogios, a equipa não é representada por uma segunda leva de leões famintos de palcos europeus. Nada de mais. De uma forma simples: em Agosto, Justin Andrews e Mark Warburton, os autores da prova, fizeram o anúncio da suspensão pelo prazo de um ano, justificando a decisão com a falta de financiamento. Razão para o fim da NextGen: a criação da UEFA Youth League, um torneio para o qual são convidadas a participar as equipas sub-19 europeias cujos emblemas, no escalão sénior, tenham alcançado a fase de grupos da Liga dos Campeões. 32 equipas, portanto, e a certeza de que, com o escassear de receitas, apenas uma das competições iria sobreviver.
Como seria de esperar, apenas sobreviveu a Youth League, deixando para trás o princípio fundador da anterior competição: a ideia de que os melhores e mais responsáveis no trabalho formador seriam recompensados com a participação na competição. Uma prova bem organizada e que serviria de antecâmara de um futebol mais rígido e de montra privilegiada, para estrangeiro ver.
O distorcer da ideia inicial é, aliás, um dos defeitos apontados à actual Youth League, em que este ano participaram duas outras equipas lusas. Mark Warburton diz mesmo que «se o modelo da Youth League está ligado (e dependente) da qualificação para a Champions League por parte do plantel sénior, então qualquer investimento ou sucesso ao nível da equipa jovem é irrelevante». Para o criador da NextGen, tal facto levaria a que as melhores academias ficasse impedidas de se defrontar entre si, significando também que equipas como Sporting, Arsenal, Manchester United ou Tottenham ficariam de fora da Youth League, à semelhança do que aconteceu com o campeão Aston Villa e com o Inter, vencedor da primeira edição.
Os fundadores da competição ainda mantêm a esperança de ver a NextGen Series voltar para ocupar o lugar que sempre lhe pertenceu. Quanto aos leões, de uma forma ou outra, e por via do bom campeonato no nível sénior, já têm a participação garantida em qualquer uma das duas, mas com um sublinhado: os holofotes andaram desviados e já vêm com um ano de atraso.
O Sporting somos nós!