orgulho

Tranquilidade

por 7 de Abril de 2014À saída do estádio, Os textos do Damas0 Comentários

A palavra é bem conhecida de qualquer adepto mais ou menos esclarecido acerca do futebol nacional. Tranquilidade. Paulo Bento fez uso dela por diversas vezes, também ao serviço do Sporting. Tranquilidade pode servir para definir uma série de estados de alma, ânsias – ou a falta delas – ou até estilos de jogo. Tranquilidade foi, porventura, a expressão que mais me ocorreu durante o jogo em Paços. Um jogo tranquilo, uma vitória tranquila…enfim, um Sporting tranquilo.Muitos foram os jogos em que vimos a equipa vencer, e com toda a justiça, mas, a verdade é que muitas das vitórias surgiram depois de uma atitude em que, claramente, os jogadores foram procurando o golo menos com a cabeça e mais com o coração. 2013/14 trouxe à Liga um Sporting mais metódico e organizado, é justo dizer-se, mas, durante nove ou dez meses de liderança de Leonardo Jardim, a regularidade tem sido resultado de valentes doses de ambição, explosão e capacidade de sofrimento. Uma equipa que não desarma e que, motivada e ciente do apoio nas bancadas, faz de cada jogo uma prova a si mesma e um grito de revolta.

Tendo como base as expectativas de início de época, a temporada tem sido praticamente exemplar. Não esquecendo a eliminação das taças, bem como a forma como aconteceram e como foram geridos todos os episódios circundantes, o Sporting, ainda que tenha sido baptizado de «surpresa do campeonato», tem valido acima de tudo pela regularidade.

Por tudo isto, a tranquilidade. Sábado, a Mata Real foi palco de um Sporting competente e que, desde cedo, deu aos adeptos essa tal tranquilidade. Um leão sereno, controlador capaz de um domínio que, potenciado pelo cartão vermelho a Filipe Anunciação, se foi arrastando até ao final de uma partida que serviu também para devolver às parangonas o triângulo desenhado por Jardim para o meio campo leonino.

Nos jornais, apesar de outras cores dominantes, já se fala de um «senhor leão», «autoritário» e com as «garras na Champions». Aproveitando a deixa, e descontando eventuais melhorias do plantel durante mercado de verão, quantos de nós não gostariam de testar este grupo na maior competição de clubes do futebol europeu?

Tudo somado, é possível que, num ou outro jogo, cada um dê por si aos pontapés a qualquer coisa mas, de uma coisa estamos certos, já ninguém entra em Alvalade de costas voltadas para um grupo de jogadores que, diga-se, continua a fazer todos os possíveis por dar o merecido destaque ao leão que leva ao peito.

O Sporting somos nós.