Ode ao futuro.

por 16 de Abril de 2014Os textos do Damas0 Comentários

Sinto um misto de sensações. Se por um lado quero que a “quase” festa alheia acabe cedo por outro desejo imenso que, quanto mais tarde começar, melhor.
Mas quero sobretudo que nem se dê por ela e se já os rivais não pretendem ser campeões de sofá nós aqui também desejamos que no Sábado o nosso grande faça o que de melhor tem feito. Ganhar, fazer a nossa festa matemática e não a vossa! Domingo é Santo!O ensaio do último fim de semana já demonstrou que muita gente vai festejar um certo título, até alguns de outros clubes pois se ainda existe algum desporto para ver, os negócios começam a fluir que nem vaselina.
Podemos, por exemplo, comparar o preço do bilhete no Restelo de agora e de quando foi o Belenenses-Benfica. No preço mínimo, a inflação de 7€ deve-se a Miguel Rosa poder ser utilizado agora depois de se terem esquecido dele no outro jogo.

Ainda pensei que, no início da época, o Olhanense estivesse a servir de exemplo à rigidez do sistema quando existiu uma jiga-joga de ideias entre jogar no seu estádio ou não mas agora o Arouca pôde ir jogar ao Beira-Mar (única solução?!) o que mostrou uma obsessão pelo dinheiro ou pelo amarelo. O que é certo é que o estilo de jogo do Benfica encaixou que nem uma luva naquele tapete.
Lembro-me bem da condicionante do jogo fluído em Arouca quando arrancámos a ferros uma vitória naquele batatal. Não pode calhar a todos...

Há coisas demasiado bonitas de ver que por vezes nos deturpam a razão. Americanizando um pouco o que é o entertainment português olhamos para o modelo do wrestling em que o campeão é normalmente alguém que faça mossa na vontade dos apreciadores. A direcção define que um Dave Batista ou um Randy Orton ganha o título e o povo grita. Depois há o re-match e o povo anseia mas se passarmos do wrestling para o MMA (Mixed Martial Arts) o campeão é aquele que vence o combate, ou seja, foi o melhor. Não por ter mais público, não por ter mais garantias mas sim porque entrou dentro de um ringue sem um percurso planeado e foi melhor que o adversário no combate. Na próxima época desejamos um MMA no futebol. Os outros que gastem 500 milhões mas quem valoriza somos nós.

Agora que temos um projecto sólido e já não nos baseamos nos "ses" podemos acreditar em algo mais. Nesta época o objectivo foi cimentar a nossa estrutura, para a próxima a meta é mesmo o campeonato. O movimento Basta já provocou bastante comichão aos sedentários do sistema (e sim, sistema, sistema e sistema), no entanto chamem-nos o que quiserem pois os árbitros podem errar mas se vos passarem com o carro por cima algum dia não deverão achar piada à expressão "Toda a gente erra".

SHIT HAPPENS, não existe no nosso vocabulário e não é um fora de jogozito, um penalti por marcar, ou um golo mal anulado. São vezes suficientes para se inventarem piadas sobre isso.

Lembram-se de um jogão que o nosso defesa central fez na época passada em que, qual muralha, ninguém passou por ele? Pois, claro que não se lembram porque estava a jogar na 2ª divisão do Brasil e ninguém por cá via jogos do Joinville.

Maurício está agora de pedra e cal na defesa mais coesa dos últimos anos. O que é que este jogador faz a menos que um de várias camadas de milhões? É simples o processo. Ele sabia rugir e casámo-lo com a juba.
Agora estamos mais fortes e metemos mais medo. Nos anos anteriores qualquer equipa sentia alívio por nos defrontar por saber que passámos por uma fase de debilidade. Hoje encolhem-se... mas esmagamos na mesma.

Fruto de todo o sucesso está também o trabalho de todo o santo adepto. Todos são especiais e únicos mas embora o número de sócios tenha crescido podemos fazer mais. Pica o amigo, regista a tua avó, faz chantagem com o teu irmão que vê jogos do Sporting e vamos inchar mais este verde. Porque muito nunca é demais...

 

Verde, logo existo!