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O que é meu é meu!

por 1 de Abril de 2014Os textos do Damas0 Comentários

Disse um dia o anterior presidente: “Os atos de gestão são praticados por quem cá está. Eu comprei 25 jogadores e alimentei os outros todos. Se tiver de vender quem comprei ou quem alimentei qual é o problema? A minha preocupação é honrar os compromissos do clube e sair de cabeça levantada” Permita-me discordar. Embora o peso da caneta sobre um papel tenha passado para outro líder, por exemplo, um caso Elias, ainda assombra o saneamento financeiro do Sporting. Estamos a falar de um jogador, aliás, mais um jogador, que recebe milhões de euros anuais e como tantos outros estaríamos a falar de bons negócios se colocados ao lado de bons resultados, não os que vivemos na época passada. Por um lado não censuro o internacional brasileiro, foi assinado um contracto bem vantajoso para o jogador e a culpa deste peso foi quem achou que seria também vantajoso para o património do Sporting. O jogador apenas faz o papel dele. Quem não o faria?!

Godinho Lopes, quando chegou à liderança leonina, até que resolveu alguns problemas já anteriores, como o caso de ordenados por pagar, mas daí a apagar fogo com fogo... voltámos ao mesmo. Posso comprar 25 jogadores e vender o Wolfswinkel a alguns jogos do campeonato acabar, para poder alimentar os outros mas de que serve, em tempos de tempestade, tirar as tábuas do fundo do barco para reforçar as laterais? O resultado é certo. Longe vão os tempos em que vivíamos acima das nossas possibilidades.

Longe agora porque um ano de mandato de Bruno de Carvalho nota-se até para quem apenas vê futebol e não conhece um passivo de milhões de euros há muitos anos calcado no nosso nome. Eis os resultados, as contas não podem ficar para o adepto.

Se do Godinho foi falado, anteriores gestões não ficam isentas. Mesmo assim, longe condenar permanentemente senhores que são agora adeptos tal como nós. Nós é que os colocámos lá. A realçar aqui é que agora estamos no caminho certo. No caminho de não cometer erros, ver jogadores saírem com cara de alívio por finalmente arranjarem um clube que os faça terem vontade de sorrir (1) e alienarmos passes tendo essa a única solução para honrar compromissos (2).

(1) «Seria um ano para lutar outra vez pelo quinto ou sexto lugar e eu não podia aceitar isso: não num clube tão grande como o Sporting. É um clube demasiado grande para ter um papel secundário. (...) Tinha um grande contrato, sim, mas estava relutante em ficar lá. Se ficasse seria apenas pelo dinheiro, mas decidi que queria um clube com ambições desportivas.» (Stijn Schaars)

Julgo que não fui a única pessoa a sentir esta facada principalmente porque quando o vi chegar ao plantel o nosso objectivo era sermos campeões nacionais... mas ele está casado com a carreira e eu com o clube.

(2) «É desejo da SAD leonina ter, pelo menos, 50 por cento do passe de todos os atletas.
No caso de William Carvalho a recompra não será difícil, uma vez que os restantes 40 por cento do passe estão na posse da Sporting Portugal Fund, gerido pela Espírito Santo Fundos de Investimentos, que os adquiriu por 400 mil euros.

Difícil será a reaquisição de Marcos Rojo. Os restantes 75 por cento do passe pertencem ao fundo de investimento Doyen Group, que não está disponível a abrir mão de parte do passe para o Sporting. A vontade da Doyern Group é ver os Leões venderem Rojo para outro clube no estrangeiro, de forma a poder encaixar algum dinheiro com a transferência.» (SportInforma 08 Janeiro 2014)

Submissos à vontade alheia. Se verificarmos os 400 mil euros de 40 por cento do passe do William, com agora uma cláusula de rescisão de 45 milhões de euros, esses 400.000 transformaram-se em 18.000.000.

Ninguém gosta de ter a casa enfeitada com objectos "alienados" e o presidente Bruno de Carvalho irá tentar mais um milagre para salvar o que ainda é nosso. A especulação nos Media deixa o investidor com os olhos brilhantes e retornar os 40% pela mesma porta é impossível.

«História de vender para pagar salários tem de acabar» - Bruno de Carvalho (18 de Março de 2013)

Mas se dúvidas houvessem, estamos mais vivos que nunca. Sem vendas obrigatórias e apostando na prata da casa em vez de a vendermos antes de acreditarmos no seu potencial. Há mesmo provas disso nas contas deste milénio:

2013/14 (ao fim de 25 jornadas), 57 pontos, 2º lugar, 76 por cento dos pontos possíveis

2012/13: 42 pontos, 7º lugar; 46.6 por cento 

2011/12: 59 pontos, 4º lugar; 65,5 

2010/11: 48 pontos, 3º lugar; 53,3

2009/10: 48 pontos, 4º lugar; 53,3 

2008/09: 66 pontos, 2º lugar; 73,3 

2007/08: 55 pontos, 2º lugar, 61,1 

2006/07: 68 pontos, 2º lugar, 75,5

2005/06: 72 pontos, 2º lugar, 70,5 (campeonato a 18 equipas) 

2004/05: 61 pontos, 3º lugar; 59,8 

2003/04: 73 pontos, 3º lugar; 71,5 

2002/03: 59 pontos, 3º lugar; 57,8 

2001/02: 75 pontos, Campeão; 73,5

2000/01: 62 pontos, 3º lugar; 60,7 

1999/00: 77 pontos, Campeão; 75,4 por cento

Aos que ainda acreditam em algo maior do que o que foi já atingido, não construímos uma casa a partir do telhado. Pouco falta para chegarmos lá e aí, esperaremos que as telhas verdes se vejam do céu.

Verde, logo existo!