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O Exemplo e o Cómico

por 4 de Abril de 2014Os textos do Damas0 Comentários

Numa semana em que a Champions League ficou mais perto, fruto da vitória, também com alguns “casos” sobre o Vitória de Guimarães, foi ainda fora de campo que o nome do Sporting Clube de Portugal foi chamado “à baila”. Por um lado a situação de Elias não conseguiu ser resolvida em tempo devido como o Conselho de Justiça da FPF indeferiu, em parte, o recurso do Sporting quanto ao muito falado “caso do atraso”.

O exemplo de Elias é fulcral para qualquer jogador de futebol e para os jovens em particular. Estamos perante um jogador com valor, e isso é inquestionável, que chega ao Sporting vindo do Atlético de Madrid num negócio que, para além de ter sido o mais caro da história do nosso clube, também é um espelho das direções anteriores. Com apenas metade do passe, o Sporting via-se impedido de realizar um negócio satisfatório sem o acordo do fundo de investimento que detinha a outra metade. Assim, e sabendo todos que tanto o clube como o jogador queriam por um termo à ligação que tinham com Alvalade, foi estabelecido um princípio de acordo relativos a uma determinada quantia a pagar pelo jogador.

Ora, e talvez pensando o agente do jogador e os clubes interessados no mesmo que a direção do Sporting seria igual à anterior, decidiram colocar pressão sobre a mesma, tendo em vista um negócio que satisfazia duas das partes, mas que colocava o Sporting, mais uma vez, a “ver navios”.

Este caso é um exemplo de como não se devem fazer negócios futebolísticos, e logo quando estamos numa conjuntura em que a FIFA a isso tem prestado, e muito bem, especial atenção. Tem de haver respeito, tal como o Sporting teve pelo jogador, nunca impedindo o mesmo de trabalhar, ainda que na equipa secundária, sob pena da carreira do mesmo entrar num impasse. A firmeza da direção de Bruno de Carvalho é um sinal de que tudo mudou e que os jogadores, antes de pensar em si próprios, devem pensar bem na entidade que lhes paga o ordenado.

Olhando mais para o plano interno, a deliberação do Conselho de Justiça não surpreendeu, dada a habitual dificuldade em castigar convenientemente certos emblemas portugueses. O surpreendente é o lado cómico do vídeo divulgado pela FPF, para justificar a decisão, que ombreia com a qualidade de certos “sketches” dos Monty Python.
Diz o imparcial Presidente que o atraso foi intencional, mas não teve a intenção de causar danos a terceiros. E para o caso de alguém não ter ouvido bem a justificação, o digníssimo Presidente repete a afirmação, sublinhando o hilariante da situação.

Acaba assim mais um caso da mesma forma que outros. As instâncias deliberativas chegam a uma conclusão que reflete exatamente o que se passou, mas falta-lhes a coragem, tanto coerciva como intelectual, para agir como mandam os regulamentos, punido não só monetariamente, como foi feito, ainda que de uma forma ainda suave, mas também desportivamente, chamando a verdade para ser reposta numa prova que, para o Sporting Clube de Portugal, está ferida de morte.

A nau verde e branca segue segura numa tormenta. São estes casos de um lado, são outros acusando-nos de pressionarmos as equipas de arbitragem e ainda alguns que tentam rebaixa-la por meios deselegantes que só prejudica quem os comete. Nós vamos no bom caminho, os outros seguirão os seus da forma que mais entenderem, nunca influenciando o Sporting Clube de Portugal.
Sporting não de Lisboa, mas de Portugal