Desprezo. É o melhor remédio.

por 17 de Abril de 2014Os textos do Damas0 Comentários

Como diz uma conhecida personagem adepta do nosso eterno rival, «o povo está bravo!». E é verdade que, na performance desportiva, o Benfica apresenta-se em altíssimo rendimento e em altíssimas rotações. Há que reconhecê-lo. Não custa e é o que nos mantém a mente saudável. Na condição de, apenas e só, adepto e apreciador de futebol, consigo afastar-me daquele verde que me acompanha até ao ínfimo pormenor. Acontece um pouco disto a todos nós. Basta pensar em quando estamos a ver um Borussia Dortumund vs Bayern de Munique ou um Liverpool vs Manchester City, e constatamos que in/conscientemente analisamos de uma forma justa e parcial. Se um for superior ao outro, admitimo-lo sem qualquer hesitação ou preconceito.

Porém, ao contrário de outras mentalidades, principalmente como na Alemanha ou em Inglaterra, neste país torna-se complicado saudar e elogiar um eterno rival. Pela cultura, pelo sangue quente do povo, pelo país do “chico esperto”, por vezes, até pela ignorância e presunção, não é possível ser socialmente polite na hora de dialogar com um adepto encarnado.

O meu trabalho hoje está um inferno! Eles cantam, sorriem, festejam, assobiam, fazem trinta por uma linha… E aproveitam a época festiva para me entregar algumas amêndoas com sabor a bazófia e fanfarronice, mas eu, como nem sou de amêndoas, facilmente consigo recusar.

Será que é socialmente correcto e aceitável, neste país, ser um adepto que vive apenas com as alegrias do seu clube? Não sei…
Na minha vida sempre mantive uma posição tranquila face a esta rivalidade. Não entro em episódios de terceiro mundo e não abraço ideias que não estejam dentro dos parâmetros da consciência e racionalidade.

Eu, ao contrário do que dizia a Fafá de Belém no seu hit de carreira, tenho o coração verde. E só tem essa cor. Não existe aqui qualquer tipo de anti-isto-anti-aquilo. As vitórias do leão rampante, os golos do Sli e a classe do King William é que me deixam feliz. Esse é que é o meu mundo!

Abordar este tema é sempre complicado. É colocarmo-nos perto demais de um fogo que não está controlado. Se a falta de bom senso e respeito mútuo já se perderam um pouco por toda a sociedade, quanto mais no futebol… E isso é reflectido no meu trabalho, às claras e de forma limpinha, limpinha.Enquanto “ali” se vive de maneira eufórica, semelhante à conquista de uma Champions, aqui, deste lado, estou eu, a cantarolar que… “o mundo sabe que pelo teu amor eu sou doente…”.

A todos os Sportinguistas que hoje devem estar a sofrer desta mesma virose, tenho a solução: desprezo.
É o melhor remédio.

Sporting Sempre