• 192053_galeria_belenenses_v_sporting_j28_liga_zon_sagres_2013_14.jpg
  • LDOREY_20PRESS-2
  • Sir.William.corte_.2.HQ_

Champeões

por 20 de Abril de 2014À saída do estádio, Os textos do Damas0 Comentários

As reacções não se fizeram esperar, em particular através do Twitter. Para Carlos Mané, é um «Sonho de criança prestes a ser realizado»; Diego Capel salienta o ‘dois em um’: «Vitória e conseguimos o objectivo», sublinhando que «Esta equipa estará onde merece»; Freddy Montero escreve: «Oh Deus, obrigado por me lembrares que os teus planos são melhores do que os meus sonhos (…) Que bênção, esta nova conquista»; e André Carrillo, descreve a vitória enquanto «um dos objectivos alcançados».

Sejamos francos, o primeiro lugar chegou a ser possível e, mesmo que a Champions ainda não estivesse matematicamente garantida, seria preciso um terremoto para fazer com que o Sporting não alcançasse o segundo lugar. Posto isto, o jogo no Restelo não se tratou de confirmar a presença na fase de grupos do lago dos tubarões, mas de, por conta própria, sonhar e pressionar até ao dia do balanço final.

A reacção nas redes sociais, essa, é natural. A garantia de duas mãos quase cheias de milhões e de uma época europeia ao mais alto nível são razões bastantes para que o plantel vá de férias com a sensação de missão cumprida. O malfadado reino de Godinho Lopes & Cia. conseguiu – e como conseguiu – a proeza de baixar a fasquia, mas Bruno de Carvalho, Leonardo Jardim & Cia. mudaram as regras.

Imaginemos uma barra horizontal de salto em altura. O mandato de Godinho reduziu a altura da barra de 2,30 metros para 30 cm. Depois disso, o que seria previsível? Que se usasse esse facto para saltar por cima da barra com facilidade. Ora bem, o que fez a actual direcção? Voltou a baixar a fasquia mas, em vez de saltar, preferiu fazer a dança do limbo.

Quanto à equipa, correspondeu, alcançou o objectivo principal com relativo à vontade e ainda teve meios para ‘dar um pezinho’ na corrida ao título. A Liga dos Campeões, bem sabemos, é outra história, completamente diferente. Antecipando o que daqui a algumas semanas vai ser o debate mais frequente em torno do Sporting 2014/15, a pergunta que se impõe é: valerá a pena arriscar outros tantos milhões, à semelhança de épocas anteriores, fazendo figas numa campanha que nos permita alcançar as últimas eliminatórias da prova?

Não raras vezes, vem-me à memória o verão de 2000, na ressaca do campeonato sob a liderança de Augusto Inácio. Uma vontade desmedida de brilhar na Europa, com contratações a rodos – é lembrar as transferências de Dimas, Hugo, Pavel Horvath, Bruno Caires, Alan Mahon ou Kirovski – e o desfecho que ditou um Sporting no último lugar da fase de grupos da competição, depois da vontade de, com os milhões, mostrar a todos uma equipa dominadora em Portugal e competitiva na Europa.
Hoje, pese embora um futebol que, nas últimas semanas, tenha perdido algum brilhantismo, a equipa de Leonardo joga à bola e tem, no mínimo, uma ideia de jogo que, aliada à coesão, faz deste Sporting mais equipa e menos brasão.

Frente ao Belenenses, vencemos. E vencemos bem. Num relvado pior que mau, a qualidade não foi a nota dominante, mas o jogo reafirmou este Sporting como uma equipa que, à chuva ou ao sol, na relva ou no batatal, entra em campo com a lição bem estudada.

Os azuis ainda deram um ar da sua graça. E folgamos muito em saber que está tudo bem com Miguel Rosa e Jorge Rojas. Afinal, as ausências esporádicas estão mesmo explicadas. Explicam-se, claramente, com aquilo a que Marco Paulo, ex-técnico do Belenenses, chamou de «motivação extra».

Em destaque, para além da expulsão de Marcos Rojo (frequentemente incauto na forma como aborda os lances, mas traído pela rigidez encarnada), Adrien (pelo golo e pelo que jogou), André Martins (tanto que merecia golo naquele remate ao minuto 31’ e que lhe daria outro ânimo e visibilidade neste final de temporada), Rui Patrício (continua a provar que guarda-redes não é quem quer) e, claro, Wiliam Carvalho (e aquele corte ‘limpinho’, a varrer dois ou três adversários à entrada da área?).


Nomes que, sem dúvida, terão de fazer parte dos planos da estrutura leonina, para que, ao contrário do que diz Montero, planos e sonhos estejam todos… no mesmo plano.

 

O Sporting somos nós!