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Se o ridículo pagasse imposto

por 21 de Março de 2014Os textos do Damas0 Comentários

Setúbal marcou o ponto de viragem. Tanto para o Sporting e os sportinguistas como para os outros. O abuso perpetrado pela equipa de arbitragem foi de tal ordem, com decisões muito discutíveis em todos os golos e ao longo de todo o encontro, que algo teria de ser feito. A direção, bem no entender da grande maioria da Nação sportinguista, decidiu sair em defesa de um grupo de trabalho que, apesar de merecer muito mais, se via continuamente sendo alvo de decisões incompreensíveis e de erros claramente grosseiros que a colocavam cada vez mais longe do topo da tabela.

Foi assim que nasceu o movimento “Basta”. Aceitando o repto lançado por Bruno de Carvalho, os adeptos mobilizaram-se contra o “estado de situação”. Nomeações surpreendentes, decisões claras e mesmo aquelas que normalmente passariam despercebidas pela grande maioria das pessoas, teriam de ser escrutinadas, debatidas e contestadas quando disso fosse caso. Não se tratando de coagir as equipas de arbitragem a beneficiar o Sporting, mas sim criando uma forma de pressão que acabe por fazer compreender a todos que estamos vivos.

No encontro com o FC Porto, o golo da vitória foi obtido de forma ilegal, na sua origem. É um facto indesmentível e que não podemos desmentir. Mas também outras decisões da equipa de arbitragem, tomadas no decurso do mesmo, podem ser discutidas, principalmente no aspeto disciplinar, onde o árbitro acabou por ser “meigo” para com os azuis e brancos.
Agora, a hipótese levantada esta semana por parte da equipa da cidade do Porto de que, estando criado um ambiente de “intimidação e coação”, o trabalho da equipa de arbitragem foi influenciado e, como tal, passível de ser punido segundo os regulamentos da Liga, nomeadamente com a derrota no jogo em questão, é algo de hilariante. O final do caso “Apito Dourado”, que ninguém sabe ao certo em que meandros se enredou até se deixar de falar do mesmo, esse ponto épico da repugnância do futebol português, foi como que um “passar de esponja” sobre o passado.

Mas nós não nos esquecemos, nem o “Youtube” o deixa, pois todos são livres de aí consultarem as escutas que provam claramente o “modus operandi” de um emblema que então dominava a seu bel-prazer o futebol português. Aí sim, havia intimidação sobre equipas de arbitragem e sobre adversários. Jogar no seu terreno era uma experiência horrível e a perspetiva de derrota era algo bastante palpável.

Porém, o Sporting Clube de Portugal, não o futebol português, mudou. Até esta temporada éramos apenas um servente que vencia de vez em quando, não levantava ondas de contestação e compactuava, por meio do silêncio, com o estado de coisas. Porém, com Bruno de Carvalho, o Sporting aponta o dedo, diz o que tem a dizer e marca caminhos novos. Quanto ao futebol português, nada se espera de novo quando é apenas o galo a mudar no poleiro, mantendo grande parte do método controlador.
Esses caminhos apontados podem não ser seguidos pela maioria, mas quem anda no desporto com sede de verdade e com o objetivo da vitória norteado pelas regras que impedem a selvajaria, seguirá o Sporting. Podem não ser muitos, mas serão seguramente os melhores.