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Querido mudei a casa!

por 6 de Março de 2014Os textos do Damas0 Comentários

Imagine o caro leitor chegar ao estádio, entregar o bilhete e alguém dizer: “Lamentamos mas o sensor não reconhece o código todavia isto é um sintoma normal e tal como o senhor, que certamente também erra, teremos todos de aceitar este erro com naturalidade. Não dá mesmo para entrar! Obrigado e até à próxima!”

Tão idiota seria este cenário quanto metafórico no que representa a actualidade desportiva, pois, já todos ouvimos falar que os árbitros são humanos e como todas as pessoas também têm a oportunidade de se enganarem.Ora bem, em primeiro lugar, se um jogador (ou equipa) errar não coloca em causa nenhum do trabalho soberano do adversário ou até da equipa de arbitragem num jogo de futebol. Em segundo lugar, se um árbitro pedir desculpa ao Adrien, por não ter visto que a bola foi desviada pelo braço do adversário, num remate para golo, em nenhum lado do mundo é tão saboroso como seria ficar com os dois pontos “roubados” nesse mesmo jogo.

A esses dois pontos o Sporting Clube de Portugal adicionou os do jogo da Académica, do Nacional e mais alguns. O que nós somámos, foi o que o nosso Sistema nos subtraiu. Temos o direito de achar mal, temos o direito de apontar defeitos e temos o dever de apresentar soluções. Foi o que fizemos. Embora algumas “figuras” achem depreciativa a atitude do Bruno, o Bruno não se cala. É a voz do Sporting e é proactivo no que toca a tornar visível a imparcialidade. Sim, porque continuamos a ser prejudicados! Sim, porque as regras estão mal semeadas! Sim, porque afirmamos que sem esses erros estaríamos em primeiro lugar no campeonato.E tentam mandar-nos abaixo. Mas o "Limpinho" já não é assim tão limpinho. Contra o Belenenses, para compensar, tenta-se equilibrar a balança com mais polémica. E então aquele empate contra o Arouca na Luz ao cair do pano?! E a prenda em Barcelos, também em cima do apito final?

Certo é que se falamos sobre o assunto só queremos fazer tempestade porque temos mau perder. Mas os erros aconteceram na mesma...Polémicas já vêm de há muito! Um certo campeão nacional, castigado num processo (Apito Final) que referia ilegalidades consumadas na época 2003/2004 perdeu 6 pontos na época 2007/2008 quando já o campeonato tinha sido ganho por 15 pontos... É como tirar a carta de condução a um recluso que cumpre prisão perpétua. No final é só gracejar ao povo que o sistema não perdoa estes crimes e pune os mesmos a bom exemplo.Este mesmo campeão inventou agora uma vaga para as meias finais da Taça da Liga por baixo da mesa, pagou uma multa - imagine-se - inferior aos custos do processo e, embora alguns órgãos o dessem como culpado, outros meteram o rabo entre as pernas pois não aguentaram o peso do chicote.  Embora as célebres escutas não sirvam como prova, o que foi disponibilizado no mundo social ao cidadão comum chega bem para espreitar os valores éticos que sempre existiram na esfera futebolística.

De uma conversa entre o presidente de um clube do norte, ao presidente da Liga, a fazer queixinhas de o Liedson ter agredido o Jorge Costa, há pouca diferença para um jogador que em campo pede ao árbitro para amarelar um adversário. Tem de haver sanção para servir de exemplo.  Isto é o que está mal no futebol português. A cara da arbitragem ficou borrada com a pintura nestes últimos anos de Calcio Caos à portuguesa. Nós queremos limpá-la mas a cegueira ainda é imensa. Este comodismo inerte, ofereceu algumas coroas e até agora tudo era considerado assertivo. Até agora, porque o barulho que estamos a fazer vale mais do que qualquer interesse pessoal. Se os árbitros erram, têm de melhorar. se a metodologia está mal, tem de ser definida de melhor forma, se as regras são ambíguas, têm de ser reescritas.A mesma decisão não pode ser diferente de hoje para amanhã por uma questão de perspectiva. Daqui a 20 anos apenas se recordam os palmarés dos troféus.

Mas, enquanto alguns tentam varrer o lixo para debaixo do tapete, nós... estamos dispostos a mudar o soalho por inteiro!  "Durante a investigação (processo Apito Final), verificou-se que vários árbitros e observadores tiveram actuações que merecem a mais viva reprovação e censura, mas estas práticas de tráfico de influência não correspondem hoje a ilícitos nos actuais regulamentos", lamentou Ricardo Costa, esclarecendo: "É razão por que não podem ser punidos". - Jornal Expresso - Sexta feira, 9 de maio de 2008