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menosfutebol.pt

por 23 de Março de 2014À saída do estádio0 Comentários

As últimas semanas têm sido marcadas pela polémica das arbitragens. «Sporting persegue árbitros»; «pressão dos leões»; «Bruno de Carvalho exige X e Y»; «Porto queixa-se de Sporting»; «Vitor Pereira não sei o quê». O futebol português tem disto. O meu clube vence, sem mácula; Adrien, com mais uma bela exibição, volta a não vacilar nos pontapés da marca dos 11 metros; William marca, é digno de mais alguns gif e volta a destacar-se aos olhos de toda uma Europa; Mané continua a crescer e a dar sinais de que a titularidade indiscutível é cada vez mais uma evidência; Jefferson arrisca e petisca; e, mesmo que o rol de pormenores do jogo jogado seja relevante, opto por falar de polémicas de apito, de árbitros e de quem verdadeiramente gosta de os controlar.

Como é triste este futebol que quase nos obriga a reprimir as verdadeiras emoções e nos deixa meio impotentes perante actores que deviam ter a importância de qualquer filme série Z, numa qualquer madrugada do Canal Hollywood.

Vítor Pereira, presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, é um desses personagens. Se o filme futebol fosse feito de justiça, Vítor Pereira nunca teria passado daquele papel de empregada da casa do patrão rico, na lezíria, que conta umas piadas e namora às escondidas com o filho do patrão. Neste caso, o senhor, que também é presidente, subiu de simples empregada a governanta e namora mesmo com alguns dos patrões. Por isso, porque já tem aos seus ombros alguma responsabilidade, deixo algumas questões.

Vítor Pereira, quantas vezes já abriste a boca para dizer a palavra Sporting? E quantas dessas vezes exprimiste uma posição relativamente neutra e distante? Zero. Vítor Pereira, porque é que os árbitros em Portugal fazem boicotes ao meu clube e tu, ainda esta semana, voltaste a gozar com esta instituição centenária, fundadora de princípios estruturantes e que deu ao mundo do desporto alguns dos melhores jogadores da história dos relvados, dos pelados dos pavilhões ou do ‘tartan’?

Vítor Pereira, porque é que não apareceste logo após o jogo em Setúbal e deste a cara na RTP Informação para falar depois do Sporting-Porto? Vítor Pereira, como é que és capaz de dizer que nunca houve corrupção na arbitragem portuguesa quando todos sabem que é verdade? Vítor Pereira, como é que, sabendo tu dessa corrupção, procuras agora dirigir as atenções para o meu clube, relatando que «nos últimos 15 dias (os árbitros) têm sido vilipendiados. São telefonemas a altas horas da noite, vidros partidos, ameaças na caixa de e-mail»? Vítor Pereira, porque é que, mesmo não sabendo as circunstâncias em acontecerão os próximos desafios podes garantir que, apesar de Pedro Proença não ter apitado o vizinho do Colombo que «Ainda há muitos jogos pela frente» e que «ele vai dirigir um jogo do Benfica em breve». Vítor Pereira, porque é que não desapareces de vez e deixas de fazer figura de corpo presente frente aos verdadeiros poderes?

Marítimo 1-3 Sporting. 22 mar 2014. Foto: maisfutebol.iol.ptAinda antes do embarque para a Madeira, Bruno de Carvalho já tinha deixado bem claro: «Jorge Sousa foi muito bem escolhido». Depois de dias a fio em que o clube quis direccionar – e bem – a atenção das instâncias competentes para os verdadeiros problemas da arbitragem em Portugal, o presidente leonino, antes acusado de incendiário, malfeitor e manipulador, entre outras mil e uma classificações, quis colocar alguma água na fervura e deixar o ex-super dragão escolhido para desempenhar tarefa fazer o seu trabalho.

Onde muitos outros cederam pontos – e onde alguns festejaram errada e vigorosamente as vitórias antecipadas –, o Sporting venceu, com relativo à vontade, e com direito a uma grande penalidade. Jorge Sousa apitou, Adrien marcou, os leões festejaram, Pedro Martins nem pestanejou e Márcio Rozário, o autor do penalty, não escondeu a verdade: «Foi penalty. Ele [Carlos Mané] estava na cara do golo e se não tivesse feito falta seria golo». O penalty não foi decisivo, o que contribuiu para a que cada qual não se tenha colocado em bicos de pés para reclamar uma suposta ingerência do árbitro no rumo da partida, mas, ainda assim, este é um bom exemplo daquilo por que Sporting e Bruno de Carvalho se vão batendo jornada após jornada. Os de verde e branco foram superiores, o resultado assim o demonstra e, no final, cada qual volta para a sua casa com a certeza de um final de tarde bem passado, de que o futebol são apenas 11 contra 11 e de que, no final, a Alemanha até pode vencer sempre, mas apenas porque concretiza mais e treina melhor.

E, como seria simples este futebol português, em que, grande parte das vezes, a melhor equipa em campo sairia premiada com a vitória, sem quaisquer áreas cinzentas, sombras e outros tantos «se». Nem sempre o melhor em campo sai vitorioso – como ficou provado em cerca de metade dos anos 90 leoninos -, mas o futebol é assim mesmo, irregular. Frustrante é saber que a constância das regras pode pecar por escassa e tornar-se facilmente num dínamo potenciador de desequilíbrios com origem noutras cartilhas, ilegais, provenientes de gabinetes e covis construídos fora das quatro linhas, e enredados em chamadas telefónicas disponíveis num Youtube perto de si.

 

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