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Eu e eles, no vulcão de Alvalade

por 17 de Março de 2014À saída do estádio0 Comentários

Finalmente o Sporting matou o borrego! A turma de Alvalade conquistou uma importante vitória. Três pontos que servem para disparar a diferença pontual face ao 3º classificado e que, eventualmente, podem servir também como um “boost” motivacional para o que resta do campeonato. 

O clássico não foi um jogo bem jogado. Um futebol muito combativo de parte a parte, com muitos lances confusos, alguns passes errados e poucas ocasiões de golo. Na primeira parte a equipa adversária teve o sinal mais, ainda assim, a formação azul e branca, pouco esclarecida, depositou todas as suas fichas de jogo em Ricardo Quaresma. No plano individual, o número 7 portista, foi a figura dos primeiros 45 minutos. Foi dos seus pés que nasceram os lances mais perigosos para a baliza de Rui Patrício. Do lado leonino, Sir. William, a dupla Eric/Rojo e Slimani, foram os jogadores mais esclarecidos, numa equipa com poucas ideias e que em determinados momentos do jogo se torna demasiado previsível.

Na segunda parte a equipa adversária entregou o comando do jogo aos leões. O Sporting agradeceu e sem pedir licença partiu para cima de um dragão que se viu encolhido quando perceberam que no reino do leão, quem manda somos nós!

Vou deixar o fora de jogo, os vermelhos por mostrar e outras incidências do jogo para o meu amigo, “Verde, logo existo”. Só quero destacar o que de positivo – e muito – se viveu na noite de ontem em Alvalade.
E sobre isso, o primeiro destaque vai para Slimani. O número 9 do Sporting, corre, finta, chuta, cabeceia, defende, protege, contemporiza, depois ainda tem tempo para decidir jogos. Outra vez ele! Na área, depois de cruzamento milimétrico de André Martins, finge que vai ao primeiro poste, Abdoulaye cai neste truque e depois…  depois a mesmo história de sempre. A voar como uma borboleta entre os centrais e a aplicar uma leve picada no Dragão, o herói Slimani foi novamente decisivo nesta vitória absolutamente deliciosa. OBRIGADO SLI!

O segundo destaque vai para o Mozart do futebol, o homem que carrega o piano sozinho. Vai para o Salvador Dali de Alvalade, o homem que apresenta traços surrealistas no seu futebol. Vai para o Vasco da Gama do futebol, o homem que conquista e descobre os espaços possíveis e impossíveis. Vai para Sir. William Carvalho. É cada vez mais complicado descrever o fenómeno William em Alvalade. Em pezinhos de lã e com um futebol rendilhado, William consegue arranjar espaço dentro de uma cabine telefónica para fintar e desviar os adversários do seu caminho, tem ainda tempo para levantar a cabeça, perceber como se movem os seus companheiros e com um bisturi coloca-lhes a bola cirurgicamente. A esta incrível capacidade de criar e fazer jogar, consegue ainda garantir o equilíbrio da equipa defensivamente. O número 14 leonino, com o seu trabalho, talento e categoria tem Alvalade a seus pés, é um jogador venerado por todos nós, isto porque, em Alvalade, felizmente, todos conseguem reconhecer à primeira vista quando se trata de qualidade à escala planetária. Obrigado Sir. William, por fazeres valer o meu dinheiro e o de mais 37 mil pessoas.

Por último, o meu principal destaque, o que ainda me está a provocar tremedeiras nos dedos, vai para o vulcão de Alvalade. Eram 37 mil? Pois, posso-vos garantir que parecíamos 60 mil! Ontem, e sou presença constante nas bancadas de Alvalade, viveu-se um grande ambiente. Ambiente esse que contagiou todas as bancadas, repito, todas as bancadas do estadio de Alvalade. No festejo do golo, o magrebino correu para junto da bancada central e é essa imagem que ainda não me saiu da cabeça. A galgar bancadas como se fosse um maluquinho, atiro-me para as grades, como se estivesse a festejar com os meus rapazes. Completamente descontrolado, sou travado e empurrado pelos “stewards” e abraçado pelos meus. Eu vi o Slimani, o André e o William a olharem para mim, a festejarem comigo e a fazerem-me sentir como se fosse um deles. Entre abraços sentidos e momentos de pura excitação, Alvalade, até ao fim transformou-se num vulcão em erupção.

Quando me perguntam, porque vou eu à bola ou porque gosto tanto do Sporting, as palavras não servem para explicar. O Sporting ultrapassa a minha consciência, oferece-me grandes momentos e grandes amigos. O Sporting leva-me todas as semanas a fazer no mínimo 240 quilómetros, a gastar sempre algum dinheiro, mas são os momentos como o de ontem, que me fazem querer estar lá hoje, amanhã e sempre, a apoiar o meu clube do coração.

O Sporting não é só um clube, é muito mais do que isso. Ontem cheguei a casa às 3 horas da madrugada, hoje não fui trabalhar e não tenho voz, mas tenho o coração cheio de orgulho em pertencer aos rapazes de verde e branco.