sli11

É Carnaval, o Slimani não leva a mal!

por 4 de Março de 2014Os textos do Damas0 Comentários

Slimani? Argélia? CR Belouizdad? A custo zero? Quem é este “gajo”?

Apareceu do nada. Saiu da Argélia com destino a França, para assinar pelo FC Nantes, mas um desentendimento à ultima da hora mudou a rota do argelino. Após um acordo entre o Sporting e um dos empresários do jogador, Lisboa foi o destino para o número 9 do Sporting.
A ficha de informação sobre o jogador estava incompleta. Sabia-se que actuava no “pobre” campeonato argelino e que era suplente na selecção. Alto e com uma envergadura de impor respeito, Islam Slimani prometeu trabalho, empenho e golos ao serviço do seu novo clube.

“Mas não é melhor o Ghilas? Ou o Suk? Até fazer regressar o Baldé?”,  questionaram os profetas da verdade. Outros, tal como eu, deram o beneficio da dúvida. A direcção encontrava-se a reduzir custos, o plantel estava a ser reconstruído e existia a plena consciência de que, em fase de transição, craques ou, pelo menos, nomes sonantes, não seriam opções a equacionar em Alvalade. Se a direcção na qual eu acreditava ia apostar neste herói desconhecido, eu tinha de acreditar também.

Começaram os jogos de preparação e com eles apareceram as primeiras prestações. Admito que, numa fase inicial, o seu jeito desengonçado, a caminhar para o tosco, criou-me algumas reticências, porém, a atitude com que se apresentava em campo ia ao encontro do que se exigia num clube como o Sporting.

Chegaram os jogos a sério e, devido a um arranque estrondoso de Fredy “Krueger” Montero, o argelino foi relegado para o banco de suplentes sem nenhum espaço de manobra para se impor na equipa. Com o decorrer do campeonato, o fulgor atacante da equipa começou a perder-se. Era necessário arranjar mais uma solução para fazer a diferença e Leonardo Jardim, em Guimarães, apercebeu-se de que ela existia mesmo ali ao lado. Olhou para o banco e lá estava ele: o novo super-herói da turma de Alvalade.

Foi na cidade de D. Afonso Henriques que o destino se cruzou com o futuro de Slimani. A dez minutos de acabar a partida, e com o Sporting sem conseguir mudar o placard, Jardim lança o argelino para o jogo e, em cima dos 90´, num golo à ponta de lança, oferece os três pontos ao leão. Foi este o momento que serviu de ponto de viragem para o ponta-de-lança leonino.

Daí para cá, é o que nos sabemos… Quando as coisas começam a ficar complicadas, o magrebino salta do banco para resolver. Participa em todas as reviravoltas do Sporting, compensa todas as suas limitações com uma entrega e atitude de enaltecer e criou a imagem de super-guerreiro no seio dos adeptos.

Islam Slimani é o homem do momento. Com um nome carismático e com uma aparência um pouco taralhouca, vai fazendo as delicias dos adeptos. O novo super-herói de Alvalade mais parece retirado de uma qualquer banda desenhada. A sua atitude, que derruba barreiras, e a sua fé, que faz mover a multidão de Alvalade, fazem de Super-Slim aquele herói que há muitos anos tem fugido ao clube do leão. Um herói que não tem medo de voar, que sabe picar quando é preciso e que possui o dom de transformar a equipa, e Alvalade, num turbilhão de sensações.

O seu mais recente jogo afasta os maus-olhados e prova que ele também é capaz de facturar entrando de início. Super-Slim deu, e tem dado à equipa, o que tem e o que não tem. E um jogador que tem uma mística especial e que parece ter um super poder para fazer golos nos momentos em que mais precisamos.

- "Islam": diz o Botas (speaker de Alvalade).
- "SLIMANI": grita-se em uníssono no estádio de Alvalade. As bancadas tremem, o público está em delírio e, lá em baixo, no relvado, lá está ele ajoelhado, agradecendo a Allah por ter Alvalade a seus pés.

Dizem os meus pais que quando eu era mais novo gostava de me mascarar de Zorro. Mas,hoje, digo-vos, se escolhesse uma máscara de Carnaval, escolhia mascarar-me de Super - Guerreiro - Slimani.