bdc1

Aqui não há um Salvador

por 28 de Março de 2014Os textos do Damas0 Comentários

Um ano de mandato “obriga”, num país dado a este tipo de simbolismos, a uma entrevista de balanço que, por via da incapacidade ou incompetência dos jornalistas escalonados para a mesma, passa apenas por alto sobre o que se passou neste ano e centra-se, como também é tradição em Portugal, pura e exclusivamente nos chamados “temas quentes” que apenas são essenciais para quem quer vender notícias ou não quer saber do desporto propriamente dito.
A interlocução começou logo com uma pergunta parva e esperada: “Qual foi a decisão mais difícil de ser tomada?”; passando logo de seguida para uma que foi nitidamente feita por quem ou não sente o clube ou não o conhece: “Sente-se o salvador do Sporting?”. Aqui chegado, Bruno de Carvalho percebeu o toque e, numa atitude coerente que muito se saúda, nunca chamou a si, como muitos adeptos de outros clubes alardeiam, qualquer messianismo invocando sempre o trabalho da direção como o trabalho do Sporting Clube de Portugal, não chamando a si apenas os órgãos sociais mas também associados e adeptos.

É um facto que se falou da reestruturação, apesar de muito pouco e sem dados concretos, que não pareceram também muito interessantes para os jornalistas, ao contrário da Holdimo e dos cenários catastrofistas que se falaram aquando das eleições. Faltaram os números que Bruno de Carvalho ainda tentou dar, como o seja a revelação de que, na próxima temporada, o orçamento será o mesmo.

Apesar disso, o passado parecia não interessar. O trabalho de equilíbrio, ou fui só eu que achei estranho ninguém perguntar nada sobre as modalidades, as negociações com os bancos, a criação de um conjunto de propostas para a melhoria, de uma forma global e sustentada, do futebol português, tudo foi tratado com muita rapidez e como se não tivesse interesse para a grande maioria dos telespetadores, os sportinguistas.

Entramos na atualidade e os dois entrevistadores querem saber se Bruno de Carvalho pensa renovar com William Carvalho e Leonardo Jardim. Este defende-se muito bem e declara o que todos sabemos. Os dois sentem-se bem no clube, apesar da cobiça lógica de outros emblemas com outros meios financeiros, e o Sporting não está vendedor, deixando também a revelação de que qualquer receita adicional será canalizada para as melhorias das infraestruturas (olá pavilhão!).

Falar dos outros rivais seria uma realidade, dada a alta qualidade dos jornalistas portugueses tanto na escolha de temas como no seu desenvolvimento. E aí Bruno de Carvalho marcou mais uma vez o seu estilo. Depois de termos aparecido sempre amorfos com Soares Franco, Bettencourt e Godinho Lopes, nenhum sportinguista terá mais de se envergonhar. O nosso Presidente chamou “os bois pelos nomes”, como o sejam Pinto da Costa e Luís Filipe Vieira, e trouxe mesmo a terreiro o “apito dourado”, que já estava quase morto e esquecido, para lembrar todos que o passado é fértil em situações curiosas e que agora, o Sporting Clube de Portugal não ficará calado, apesar de pouco ou nada acreditar na idoneidade das instituições futebolísticas portuguesas.

Quanto ao tema da arbitragem, que encerrou o programa, pouco ou nada há a acrescentar, tal a torrente de acontecimentos e de notícias que já aqui foram mais que escalpelizadas, mas mantendo sempre a nossa vigilância sobre a mesma.
Mais uma vez, uma coisa ficou certa e clara. Com esta direção, o Sporting Clube de Portugal deixou de ser criado de outros emblemas. Agora, somos donos do nosso destino e esse será realidade, como disse Bruno de Carvalho em tom profético no final, “muito em breve”.

 

Sporting não de Lisboa, mas de Portugal