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Um presidente que não é bacoco: a entrevista

por 18 de Fevereiro de 2014Os textos do Damas0 Comentários

Esta segunda-feira, Bruno de Carvalho passou pela SIC para dar dois dedos de conversa durante mais de uma hora. Tema de conversa: o Sporting e a Taça da Liga.

Vestindo, como é hábito, o fato rezingão, BdC esteve “à vontade”. De ar circunspecto, sempre atento e bem documentado, o presidente dos leões levou para a TV a rigidez de um presidente, mas também a sua versão mais bem-humorada. Pergunta. Resposta. Pergunta. Resposta. Minuto após minuto, BdC foi acumulando pontos junto daqueles que, semana após semana, vão criticando a rebeldia e a rudeza do “Brunão”. As condicionantes laterais ao teste, como a derrota na Luz e a falta de decisão sobre a Taça da Liga, mereceram um presidente aplicado. BdC não deu passo em falso e, sem facilitismos desnecessários, levou a lição muito bem estudada.Bruno de Carvalho conhece os timings e joga com eles: uma entrevista a um jornal desportivo, no dia do jogo frente ao rival; e uma entrevista nas vésperas da decisão sobre a Taça da Liga. Resta-nos é perceber a fórmula de combater outros timings e atrasos que continuam a estar na origem de todas as polémicas.

Durante a entrevista, com questões feitas a oito mãos, BdC não se demarcou, de forma alguma, da equipa. Depois de uma derrota amarga, o presidente soube perder, dar a volta e reerguer-se enquanto motor da reviravolta implementada em Alvalade e que, por entre as reuniões e pedidos de audiência, quer fazer perpassar lá para os lados da Liga de Clubes e da Federação Portuguesa de Futebol.

Em tudo isto, BdC tem parecido um homem extremamente só. A batalha, mesmo que acompanhada pelos media, tem sido demasiado solitária e BdC sabe bem que não é preciso criar vagas-de-fundo, antes atacar de imediato o problema. E, para isso, pede união, esperando que a rectaguarda não chegue apenas já perto da chegada, quando a luta estiver terminada e as faixas apenas por colocar.

Sobre aquilo que Dias da Cunha um dia apelidou de «o sistema», BdC fala de um «sistema bacoco». Sem qualquer apreensão, BdC fala em algo «instituído», «simples» e que facilmente seria contornado, para isso bastando o entendimento e a vontade entre os clubes. Pelo Sporting e para o bem do futebol, Bruno deixa o aviso: «Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. É por isso que o Sporting tem um presidente com 42 anos. Ainda têm muito tempo para levar comigo». O presidente leonino deixa claro que, por ele, os sportinguistas podem estar tranquilos, já que, por Alvalade, continuar-se-à o combate pela verdade desportiva.
Questionado sobre as escolhas do treinador, BdC aproveitou ainda para reforçar Jardim como «escolha pessoal». Um técnico com quem tem «gostado muito de trabalhar», «com metas e objectivos». Esclareceu ainda que o negócio Elias não está para fechar e que jogador e pai (empresário) «arranjaram um estratagema», desabafando que, ao ler certas coisas na imprensa, chega a pensar que “o presidente do Sporting deve ser um atrasado mental”.

Não acreditamos em deuses, apenas nos homens, e Bruno de Carvalho está a sê-lo. Contra a vontade de todos os que nele viam apenas um homenzinho, imberbe, com muito sangue na guelra, passado de claque e barba por fazer, BdC é tudo isso, mas é também muito mais do que isso. Ser miúdo quando é preciso, ser homem quando lhe é pedido. Duas faces da mesma moeda com que temos comprado o caminho para a glória. Algo que, nos últimos tempos, tem escasseado pelas contas bancárias de Alvalade.