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No banco, ele é quem manda!

por 24 de Fevereiro de 2014À saída do estádio, Os textos do Damas0 Comentários

0  jogo complica-se. O Sporting com o passar dos minutos perde a frescura e a lucidez no último terço do terreno. Jogo embrulhado numa luta a meio-campo, com algumas unidades em claro sub-rendimento, um relvado a servir de obstáculo à circulação de bola, e claro, neste emaranhado de situações, a equipa acaba por se eclipsar na partida. Entre os quinze, até aos sessenta minutos, o Rio Ave foi superior ao Sporting e foi neste período que a equipa da casa conseguiu aproveitar um erro infantil de Jefresson, e um azar de Maurício, para se adiantar no marcador.Mas depois, no banco, existe alguém que lê o jogo, que sabe quando é o melhor momento para mover as suas peças no tabuleiro e aproveita esse facto para obter vitórias. Leonardo Jardim, tem poucas soluções mas apesar disso, tem tirado partido de todas elas. O treinador leonino consegue, pela quinta vez esta época, obter a reviravolta no marcador com os trunfos a saírem do banco.

O jogo complica-se, repete-se, e Jardim, o mister que sabe da poda, aproveita o efeito super-slim-ani.  Um jogador que neste momento tem como ponto de partida o banco de suplentes e como destino o golo que ajuda o Sporting na reviravolta. O magrebino entra, automaticamente o adversário baixa as suas linhas, desgasta ainda mais a defesa, e depois deixa que Allah, o ajude a voar como uma borboleta e a picar como uma abelha. Jefresson recebe de Adrien, mete por um lado e vai buscar pelo outro, tira um cruzamento largo ao segundo poste, e quem mais?! Sim, é esse mesmo. Islam Slimani, com um imponente salto e uma cabeçada letal a restabelecer a igualdade e não só. O efeito Slimani, arrasta consigo o entusiasmo nas bancadas, acrescenta alma à equipa e a convicção de que se encontra "aqui" a solução para os problemas.

Depois da igualdade, o leão meteu ainda mais as garras de fora e partiu para cima do adversário. Galvanizados pelo argelino, Leonardo Jardim, que ao intervalo mexeu, e bem, na equipa, mexe novamente, acrescentou-lhe imprevisibilidade com a entrada de Carrillo, outro dos jogadores que, coincidência ou não, é quando sai do banco que assina as melhores exibições. E até pode parecer obra do acaso, mas não é: Carrillo recupera uma bola dividida na direita, faz o centro, Slimani entre os dois centrais não chega à bola, esta sobra para o menino Mané, que atira em rotação para o segundo golo leonino. O golo da reviravolta. O segundo golo de um jogador que no espaço de uma semana, ofereceu seis pontos ao leão.

Há quantos anos, não existia um treinador que conseguisse obter vitórias a partir do banco? Leonardo Jardim, também demonstra alguma teimosia, especialmente pela inclusão de Wilson Eduardo no onze inicial, contudo, o técnico madeirense, sabe agitar as águas. Denota um perfeito conhecimento dos seus atletas, e se é verdade que o Sporting não apresenta a dinâmica e alta rotação que apresentou noutras alturas da competição, tem sido o treinador leonino o elemento chave na dissolução de algumas fragilidades e limitações.

Dizer que o Slimani devia entrar mais cedo ou que André Martins nem no Pinhalnovense calçava, tem tanto credito e faz tanto sentido como a teoria da "experiência" do bem-falante da segunda circular. Quero com isto dizer que, de nada servem os apupos constantes e as opiniões dos treinadores de bancada, até porque, percebe-se de forma clara que o Sporting, há muitos anos que não contava com um treinador com tanta qualidade e que percebesse realmente da "coisa".

O Sporting, venceu e venceu bem, em vila do Conde. Uma vitória arrancada a ferros mas totalmente merecida. E oh Cedric: deixa-te de cenas pá! isto de assim ter mais sabor, também tem muito que se lhe diga... Ainda quero viver e gritar muito, pelo meu Sporting!