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  • Shika

Hábitos e costumes, o dérbi e/ou mais uma ida ao circo

por 6 de Fevereiro de 2014Os textos do Damas0 Comentários

O embate e a tentativa de alcançar o primeiro lugar já lá vão, mas permanecem as marcas. Mais de 30 mil nas bancadas, para ver ao vivo o regresso à liderança; mais do que uma mão cheia de lances de perigo, suficientes para vencer uma Académica que, mesmo defendendo como e onde pôde, até podia ter marcado; e, por final, dois zeros, num resultado incómodo, mas que permite continuar perto do topo.

Posto isto, e porque o dérbi é já daqui a uns dias, rapidamente, muitos equacionam já dois cenários: uma vitória na Luz, que permita levar para Alvalade o carimbo da “liderança isolada”; ou, por outro lado, uma derrota, que possa até atirar a equipa para o 3.º lugar e condenar a luta pelo campeonato ao fracasso. Jogar para o empate? Nem pensar. Tendo em conta o que até aqui foi feito, e estando cientes das dificuldades, queremos sair da Luz de cabeça erguida e com o adversário curvado perante o nosso futebol. Nada mais. Acima de tudo, queremos regressar a Alvalade com a certeza de que não ficou mesmo nada por fazer – e, já agora, por dizer, porque há verdades que, domingo após domingo, têm de ser recuperadas, para o bem disto tudo a que se chama futebol – e, se tal for preciso, Bruno de Carvalho lá estará presente, frente a frente com a imprensa, para explicar, mais uma vez, ao que vem.Sou dos que defende que o jogo de domingo não é fulcral para o sucesso ou insucesso na competição. Tal como os dois adversários directos já comprovaram, a inconsistência está para durar. E a primeira volta mostrou aos adeptos que, por via dessa inconsistência ou instabilidade, existe, em muitos dos adversários, um tom de desafio superior ao de há alguns anos e uma disposição maior para encarar o risco como a melhor arma de defesa. Factores que, aliados aos desperdício e/ou falta de inspiração, acabam por ditar que, em campo, ser melhor nem sempre significa ser mais bem-sucedido. Contudo, não são as estatísticas do jogo apresentado pela Académica que validam esta teoria. Para além disso, no nosso caso, o facto de estarmos melhor do que o ano passado pode condizer com uma oposição mais receosa. E os de Coimbra bem podem animar-se com o empate. Apesar da lição de futebol, também souberam estudar e copiar encontros anteriores.

Mas, afinal, o que é que faltou? Rapidez? Entrega? Vontade? Ambição? Não mais do que em jogos anteriores. A finalização faltou, obviamente. Quanto ao resto, para além de uma grande penalidade por assinalar e de mais uns quantos apitos ao jeito do “enerva qualquer um”, penso que não há explicação possível e que deixe alguém esclarecido. Há dias assim. Resta-nos “levantar a cabeça e continuar a trabalhar” e não deixar que a dose se repita.

Receita para a Luz? A mesma do costume. Um jogo de encher o olho, a entrega de sempre e um apelo: decência e bom senso na hora de decidir. Exemplos? Evitar golos que resultem de cabeceamentos à flor da relva e em plena simulação de grande penalidade.
Adeptos? Check. Os três mil à disposição já voaram e muitos mais estarão espalhados pela bancada adversária.

Heldon? Check. O reforço – que ainda não sabemos se o é – está pronto para ser lançado. No entanto, os últimos anos de experiências em dias de dérbi recomendam prudência.

Shikabala? Diz-se que ainda é cedo. Manuel José, ex-treinador que o conhece bem, considera-o um «génio», «melhor que Carrillo e Capel». Quaresma também chegou com vários meses de atraso e lá foi encontrando o seu espaço – se bem que Paulo Fonseca, para além de chico-esperto, é também um homem de desesperado. É esperar que ‘Shika’ ultrapasse os tal «défice físico e competitivo» para provar que, ao contrário de outros, não é apenas mais um egípcio que demora tempo demais a ajustar as botas.

Nota final: o circo em torno da Taça da Liga parece estar para ficar. Agora, conclui o relatório da Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga de clubes que a equipa portista agiu «dolosamente» e «com a intenção de causar prejuízos a terceiros». Uma decisão que, a ser ratificada pelo Conselho de Disciplina da Federação, retira o FC Porto da competição. O que, como sabemos, pela forma como se lida com a justiça, quer dizer muito pouco ou quase nada. De qualquer forma, cá estaremos sempre atentos, até que, por fim, num qualquer final de tarde de maio, o gelo vai quebrar.