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E agora, Sporting?

por 16 de Fevereiro de 2014À saída do estádio, Os textos do Damas0 Comentários

Bruno de Carvalho tinha deixado o aviso: «Temos de fazer mais e melhor». A exibição não foi espectacular, o resultado foi apenas satisfatório, mas, a verdade é que, sem deslumbrar, o jogo serviu para lavar a alma e arrepiar caminho. É que, pela frente, ainda há muita jornada e a derrota “pós-adiamento” não pode, de forma alguma, adiar aquilo que é e tem sido a recuperação da marca Sporting Clube de Portugal.

Sou sincero, não olhei para as estatísticas no final da partida – nos jornais ou na internet –, mas, de uma coisa tenho a certeza: a quantidade de remates foi mais do que suficiente para que, em Alvalade, não houvesse lugar a assobios ou quaisquer dúvidas de quem foi melhor durante os 90 minutos – com 30 mil nas bancadas. O porquê desta nota? Porque, apesar de não ter olhado para o número de cantos ou de remates, notei que as diversas comunidades leoninas por essa internet fora têm manifestado repúdio para com os muitos sportinguistas que resolveram assobiar a equipa em pleno Estádio de Alvalade.

Também deste lado fica o recado: quem está insatisfeito que use o assobio como forma de protesto no final. Em particular, em maio, no final da Liga. Tal como li algures num outro comentário: «Uma coisa é ser exigente, outra é não saber de onde vimos, para onde vamos e, acima de tudo, em que é que votamos». Perder frente ao rival é duro, mas não é, nem de perto nem de longe, o fim da caminhada. Uma vitória não faz uma equipa, tal como uma derrota não destrói um projecto. É preciso enquadrar e estar ciente de contextos. Como é usual ouvir-se em tempos de troikas e ajustamentos, é preciso ter atenção à «conjuntura». E esta não nos é, como bem sabemos, nem de perto nem de longe, favorável.

Posto isto, sobre as tácticas e polémicas, pouco há a dizer. Há mesmo mais a questionar do que a constatar.

Jardim, o que é que se passou na Luz? 
Já percebemos que a ideia passou por ter como premissa a surpresa – de aparecer na casa do rival a jogar ao ataque. Cai a lã, o jogo é adiado, a surpresa esfuma-se, a equipa não joga e o resultado é um completo desastre. Ok, o objectivo era ter Slimani e Montero a pressionar alto, não deixar sair o adversário a jogar e obrigar Luisão e Garay a bater bolas para a cabeça de Maurício e Rojo. Mas, afinal o que vimos? Os dois primeiros perdidos no ataque, ao passo que, lá atrás, Piris, Maurício, Rojo e, em particular, Cédric, iam despejando bolas ao acaso.

E, se o objectivo era pressionar desde o primeiro minuto, porque não fazê-lo também em casa, frente ao Olhanense, que, apesar dos reforços de inverno, é porventura uma das equipas mais débeis da Primeira Liga?

Se, na jornada passada, cedo se percebeu que o meio-campo estava em inferioridade numérica e sem capacidade de conquistar bolas e construir ataques, este sábado, em Alvalade, Slimani esteve 80 minutos a mais no banco de suplentes. Não diria que essa seria a a opção inicial ideal, mas, partindo da ideia antes construída por Jardim, tal corrobora a seguinte teoria: Leonardo Jardim fez mesmo asneira na Luz e, receoso de que mudar o esquema habitual não lhe traga frutos, não mais ousará alinhar de início com mudanças semelhantes.

Contudo, e porque quem faz as tácticas são os jogadores, há algo a que é impossível fugir: William Carvalho. O médio voltou a provar que sem ele a equipa perde rotinas, capacidade de passe e de recuperação, poder de choque, sangue-frio e identidade. Um personagem incontornável 2013/14 leonino e cuja ausência diz muito do que foram os últimos 10 dias. Numa palavra: estabilidade.

No onze, louva-se o regresso de Carrillo – desgraçado poste! – Jefferson e Mané (a marcar o primeiro na Liga), e a recriação de uma das zonas intermédias mais promissoras dessa Europa. Salvo raras excepções, o triângulo William, Adrien e André Martins terá de ser, obrigatoriamente, para manter. Quanto a Wilson Eduardo, continua a não aproveitar a falta de consistência dos restantes concorrentes.

Heldon? Talvez seja cedo, em tudo o que lhe diz respeito. Cedo para avaliar, comentar e atribuir a nota, de 0 a 20, no conjunto do plantel actual; cedo para passar de contratação de inverno a titular; cedo para repetir a titularidade; cedo para ser lançado aos/pelos leões; e cedo para assumir tamanha importância no contexto da equipa. O ex-Marítimo até pode vir a ser uma pedra fundamental da equipa. O que me parece é que – e sem querer fazer juízos precipitados – caso tal acontecesse, para além de precoce, seria sinónimo de dúvidas no reino do leão.

Sábado vem aí o Rio Ave – e o seu relvado –, um dos finalistas da Taça da Liga. E agora, Sporting? A resposta já é sabida. «Trabalhar mais e melhor», porque nem sempre o adversário será frágil e macio, tal e qual a lã que teimou, durante vários dias, em não desaparecer. «O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim» é uma frase que pode dar algumas pistas para descobrir a chave para o sucesso.

Nota final para o andebol e para o excelente ambiente que se viveu no pavilhão de Mafra, na recepção ao Montpellier, a contar para a Taça EHF. Os leões saíram derrotado por 27-30, mas deixaram, mais uma vez, uma boa imagem do andebol nacional. Ainda para mais, frente a um dos 'tubarões' e candidato à conquista da competição. Ao intervalo, o resultado fixava-se em 14-14 e, no início da segunda parte, os leões de Frederico Santos ainda chegaram ao 18-15. Os visitantes acabaram por vencer, mas levam para França a recordação de uma tarde em que muito tiveram de trabalhar para levar de vencida a equipa do Sporting Clube de Portugal.