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Homenagens e a Superioridade Moral

por 8 de Janeiro de 2014Os textos do Damas0 Comentários

A morte de Eusébio chocou o país e grande parte do Mundo. É unânime considerar que o antigo avançado nascido em Lourenço Marques foi um dos maiores jogadores de futebol de sempre e, como tal, do nosso país. As homenagens emocionaram o país e uniram muita gente em volta de uma personalidade que dignificou sempre com brio a camisola da seleção nacional.

A direção do Sporting Clube de Portugal esteve à altura da ocasião. Soube saltar por cima das últimas polémicas, ainda que muito importantes e definidoras do futebol português, e dar a cara, primeiro transmitindo as condolências através dum comunicado institucional e depois marcando presença nas cerimónias fúnebres.

Mas o que surpreendeu, grande parte da sociedade mas não a mim, foi a reação de adeptos de outros clubes e principalmente muitos nossos companheiros sportinguistas. Esqueceram clivagens cromáticas e emocionaram-se em volta da figura de Eusébio. Porém, eu não fui nem sou capaz de o fazer.

Agradeço tudo o que fez pelo futebol português e pelo foco de qualidade que foi em anos de obscuridade. Mas a lógica ligação ao emblema rival bem como algumas atitudes que teve ainda em vida justificam, muito dirão o contrário, não a minha aversão, mas o meu respeito simples por quem não foi capaz de o mostrar por uma instituição como o Sporting Clube de Portugal não podendo assim, ser no meu entender uma figura transversal.

A sua sentida homenagem foi bonita e, como já o afirmei, emocionante. Mas também deu azo a algumas inverdades que foram ditas, que contribuíram para o ainda maior “endeusamento” da figura e o menosprezo dos outros agentes que fazem o futebol português. Dizer-se que foi o primeiro jogador que foi olhado com muito respeito pelo futebol internacional não é bonito também para com Mário Coluna, mas também para com os “Cinco Violinos” e José Travassos em particular, o primeiro jogador português a alinhar numa seleção composta pelos melhores jogadores europeus. Depois, afirmar que “antes do Benfica de Eusébio, o futebol português era um perfeito vazio”, denota apenas o total desconhecimento da história do nosso futebol, dizendo respeito “curiosamente” ao espaço temporal em que os monarcas eram cinco e vestiam de verde e branco. Com isto, não será necessário falar de quem foi Fernando Peyroteo nem o que fez nos terrenos de jogo deste país.

Mas, como em tudo o que envolve o emblema da águia, a superioridade moral teria de vir ao de cima. O episódio dos cachecóis, com o eventual tira e põe, que acaba por ser um dos momentos mais bonitos de todo o acontecimento, mais não é do que a prova do que é um adepto do Benfica, perfeitamente espelhado na sua direção. A busca incessante de quaisquer razões que justifiquem as suas atitudes vão desde aos muitos que ainda hoje afirmam que João Capela e Duarte Gomes são dois árbitros que pouco ou nada falham, como até a uma eventual vandalização da estátua de Eusébio.

Falando por mim, não seria capaz de lá colocar nenhum cachecol do Sporting, preferindo-o sim colocar ao pescoço de algum jovem que queira fazer parte da nossa família. E rei? Rei não tive um, mas cinco. Chamavam-se Albano, Jesus Correia, Vasques, Travassos e Peyroteo, jogavam com um leão rampante na camisola e, segundo dizem, foi a melhor orquestra futebolística jamais vista.