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Vestidos a rigor

por 8 de Dezembro de 2013À saída do estádio0 Comentários

Num clube muito marcado por gestões e direcções enredadas em gravatas, Leonardo Jardim, que continua a garantir que os objectivos pré-definidos não vão mudar, quer alterar qualquer resquício de velhas indumentárias e aplicar um novo estilo em Alvalade: «Mais uma vez foi um jogo fora de casa em que a equipa teve bons momentos mas, acima de tudo, teve que vestir o fato-macaco para conseguir conquistar os pontos em disputa».

É preciso vestir o fato-macaco, diz o técnico leonino. Esta é mais uma mensagem fundamental no discurso de Jardim e, ainda que a vitória nos coloque numa liderança isolada e nos encha o ego, há outras peças que vamos ter de fazer por guardar. Fato de gala? Esse é colocá-lo bem fundo, na mais recôndita de todas as gavetas, de modo a que não deixe ninguém cair em tentação, porque, por agora, o fato que melhor nos assenta é um fato de trabalho, daqueles de quem não tem pudor de meter a mão na massa e de arregaçar as mangas para o que há-de vir.

Foi isso mesmo que fez Fredy Montero. Perante as vicissitudes de um jogo muito combativo, El Avioncito soube dar luta para ter a sorte – mais do que merecida – do seu lado. Suor e competência que valeram três preciosos pontos na corrida ao topo.Para além do instinto do colombiano, que mais uma vez soube estar no lugar certo à hora certa, foi no meio-campo que esteve a virtude deste Sporting. André Martins, Adrien e o pêndulo William Carvalho controlaram por inteiro o miolo gilista e nunca pareceram em apuros. Se William teve tanto de intransponível como de construtor, Adrien, mesmo ligando o complicómetro, soube ser imponente e controlador. Mas, pese embora a menor capacidade rematadora do médio, a maior fatia da responsabilidade pela vitória esteve mesmo na capacidade empreendedora e de gestão de André Martins. Foi por lá que passou grande parte do jogo leonino, com muitos pés de lã, mas também com a fibra típica de quem tem noção da responsabilidade. Bravo, André!

As oportunidades de golo foram as suficientes para deixar os adeptos a vociferar e a desesperar por um resultado mais dilatado, mas, à medida que o relógio foi avançando, Leonardo e a equipa nunca manifestaram sinal de que haveria motivo para preocupação. Pelo contrário, entre o banco e a relva, as trocas de olhares sempre tiveram por base a convicção de que a vitória iria acontecer sem sobressaltos e com toda a naturalidade.Um sublinhado: depois de, na jornada passada, André Carrillo ter sido novamente apontado como um dos elementos em menor destaque na equipa, frente ao Gil Vicente, foi Wilson Eduardo quem não conseguiu aproveitar a titularidade. A exibição do 28 leonino foi de muito esforço mas de pouca inspiração, reforçando a ideia de que o lado direito do ataque ainda é a posição que oferece mais dúvidas na hora de Leonardo Jardim escalar o onze verde e branco.

Barcelos foi mais uma etapa de uma caminhada dura que, já ninguém duvida, é mesmo para continuar. Todos sabem que a missão ainda agora começou mas a bancada já canta «eu quero ver o Sporting campeão». Por agora, são apenas mais dois pontos do que a concorrência, o melhor ataque (30 golos) e a segunda melhor defesa (nove golos). O que é preciso é que, tal como hoje, o Sporting se equipe todas jornadas com o fato do rigor e que a vitória com naturalidade e a naturalidade das vitórias sejam marcas identitárias.