sli

Presentes envenenados

por 24 de Dezembro de 2013À saída do estádio, Os textos do Damas0 Comentários

Antes de mais, algumas notas breves sobre o Sporting – Nacional.

Na véspera do jogo, Manuel Machado fez acreditar que «as viagens de avião estão caríssimas» e que, por isso, não ia até Lisboa «passear», mas o treinador dos madeirenses não leu bem nas cartas: à semelhança do que já havia feito no Dragão, o Nacional não foi a Alvalade passear, mas sim ver o tempo a passar. E o Sporting sentiu dificuldades.

Perante uma estratégia que, em parte, passou por dar indicações ao guarda-redes para começar a perder tempo desde o minuto 10’, o jogo foi um verdadeiro work in progress, com 90 minutos em que a equipa tentou, centímetro a centímetro, encurralar o Nacional.

Acima de tudo, a visita dos madeirenses a Alvalade foi um desperdício de tempo. Tempo é dinheiro e, neste caso, dinheiro são pontos e vice-versa. E os minutos foram avançando, mas, felizmente ou infelizmente, não à mesma velocidade que o relógio apresentado por Paulo Portas.

Mesmo sem claras ocasiões para marcar, os primeiros minutos fizeram-se de pressão e domínio. Um Sporting confiante e a querer marcar cedo, mas que rapidamente se apercebeu que, com o autocarro à porta e as solas das botas à deriva, o adversário dificilmente ia ceder.

Era preciso passar ao plano B – em parte decido pela lesão de André Martins, depois de mais uma de tantas outras entradas mais agressivas por parte dos jogadores do Nacional. Slimani. Tosco? Não. Prodígio? Também não. Islam Slimani é apenas mais um daqueles casos de empatia entre adeptos e jogador, uma sintonia que muitas vezes extravasa as fronteiras das capacidades técnicas. Certo é que Jardim não esperou muito para mudar.

De um jogo mais ou menos desenhado, a equipa passou para um futebol mais directo, mas que, ao mesmo tempo, permitiu a Montero ser mais condutor com a bola junto à relva e menos bloqueador.

(Golo!)

Ninguém esperaria a benevolência – de que muitos ousaram falar – para com este Sporting, mas, à falta de melhor, seria sempre preferível à afronta e à indecência, cuja origem apenas tem um significado: a contínua subserviência para ter qualquer coisa no sapatinho.

Ainda que tenha dado muito que pensar, o empate frente ao Nacional já lá vai e, depois de alguns dias em que o resultado deu aso a muitas questões – focadas quer na arbitragem, quer no real valor da equipa –, é tempo de viajar, visitar os mais próximos e abandonar a relva por umas horas. Por estes dias de viagens rumo à consoada, em época de valores bem vincados, a paragem, pequena, é para muitos um tónico para o que resta da temporada, mas, para outros, é também o primeiro passo do plano de fuga.

Ser mais ou ser menos tem destas coisas. Se a equipa está mal, o mercado de inverno é visto como uma janela para a mudança se a equipa está bem os adeptos não querem ver alterações.

À 14.ª jornada ainda é cedo para tirar grandes conclusões ou fazer balanços e, em época que se diz festiva, o campeonato não está para festas, mas, arriscando na precipitação, esta equipa está bem e recomenda-se, e existem razões mais do que suficientes para dizer que, até agora, até não nos temos atrapalhado no caminho. E essa é uma das razões para desconfiar deste início de 2014.

Se, por um lado, Janeiro pode abrir as portas à entrada de um qualquer reforço, por outro, as últimas notícias têm dado conta do interesse de Arsène Wenger em William Carvalho. É de esperar que quer o médio, quer qualquer outra pedra fundamental, não sirva de presente a ninguém. O que não invalida o tentarmos olhar para dentro e envenenar alguém que nos peça para encher o sapatinho. Bom natal.