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Chegámos!

por 2 de Dezembro de 2013À saída do estádio0 Comentários

Até ver, a palavra “título” continua a não figurar no léxico dos jogadores, dirigentes e equipa técnica leonina, mas a verdade é que, com cerca de um terço do campeonato realizado, o Sporting ocupa, meritoriamente, o primeiro lugar da classificação.

Em onze jogos, a turma de Alvalade não deu tréguas aos mais directos rivais e, como sublinhou Inácio, «com uma equipa de tostões», lá vai fazendo a caminhada, consolidando um lugar rumo à liga dos milhões e deixando claro, jornada após jornada, que é preciso contar sempre com o Sporting quando se fala em candidatos e campeões.

Contra factos não há argumentos. Para todos os que, de forma contínua, têm apelidado esta grande instituição de “calimero do campeonato português”, ficam alguns números: 11 jogos, 28 golos marcados, 9 sofridos e 26 pontos. Mesmo com queixas de uma arbitragem que, não raras vezes, é pouco mais do que vergonhosa, o Sporting está na frente. Ainda que, em boa parte das partidas, o relvado esteja inclinado e a tendência para o achincalho seja a nota dominante, a malfadada verdade desportiva tem sido arrancada a ferros e as vitórias vão aparecendo com toda a naturalidade – e, obviamente, com o condão de quem joga mesmo à bola, sem a necessidade de quaisquer notas artísticas atribuídas por quem devia apenas estar apto para arrecadar notas sob a forma de atestados de estupidez.

Em comunicado, certo clube alertava os leões desta forma: «Não é por gritar mais alto nem por insultar mais vezes que se ganha a razão.» Pois bem, não é por gritar mais alto que se ganha razão, mas é por gritar que se chama a atenção para o que têm sido alguns comportamentos vergonhosos no futebol em Portugal.

Do jogo frente ao Paços de Ferreira, para além da vitória, algumas notas essenciais: uma primeira parte que deixou muito a desejar; alguns erros de palmatória; e uma sensação que desde há algum tempo tem invadido Alvalade: a de que tudo é possível e de que, mais minuto menos minuto, a bola vai mesmo entrar. E entrou, por quatro vezes, contrariando o ambiente gélido e aquecendo o coração dos mais de 26 mil que se deslocaram à casa do leão!

Fredy, a quem já apelidavam de “homem em jejum”, regressou aos golos no tempo certo e na casa certa, mostrando a todos que El Avioncito é um caso sério de qualidade e regularidade. Jejum? Só se for entre o acordar e o pequeno-almoço, porque à hora do lanche e do jantar o colombiano já provou que não é de comer e calar. E William Carvalho? A categoria e o à vontade com que, em pleno meio-campo, se desembaraça de dois ou três adversários, com apenas um ou dois toques… Que tranquilidade! Aliás, de todos os que pisaram a relva durante o assalto ao primeiro lugar, apenas Carrillo voltou a marcar passo, com o habitual ritmo desconcertante e uma mão cheia de actos displicentes.

Quanto ao Paços, pouco assustou. Porém, a certa altura, no discurso pós-jogo, o técnico pacense refere que a equipa controlou o jogo «em alguns momentos». Devo confessar que fiquei chocado. Ainda que o Sporting não tenha feito um jogo de encher o olho, é preciso ter estado muito alheado da partida para avançar com tal comentário. Mas, talvez esteja aí a explicação para que Henrique Calisto apenas tenha tentado mexer a sério na equipa quando o resultado já se encontrava em 3-0.

Chegados ao topo, é tempo agora de desfrutar e continuar a trabalhar. Os objectivos estão definidos, tem sido dito. Os resultados estão aí e a luta também está para ficar, com profissionalismo, ânimo, dedicação e, como já se viu, muita qualidade. Basta continuar como até aqui: humildade, pés na terra e a cabeça bem levantada.