168057_galeria_sporting_v_maritimo_j9_liga_zon_sagres_2013_14.jpg

De caras

por 6 de Novembro de 2013Os textos do Damas0 Comentários

«A cara de quem ganha não é igual à de quem perde», disse Leonardo Jardim no final do jogo no Dragão. Na altura, a frase era apenas a constatação de uma evidência, mas também um estado de alma. Por mais elogios que a equipa recebesse, por mais ‘ganas’ com que o grupo tivesse abordado o jogo ou por melhor plantel que o adversário tenha – ainda que essa discrepância possa ser apenas aparente –, depois de uma derrota, Leonardo Jardim sabia que os jogadores que iria encontrar no primeiro treino pós-derrota não mais seriam os mesmos.

A verdade é que, com o final de uma temporada atribulada e a passagem por uma pré-época cheia de trabalho de casa para fazer, uma derrota a norte seria dura, obviamente, mas muito mais subestimada. Regressar a Alvalade com uma derrota em 2013/14 é inequivocamente diferente. Não que este seja um clube que se regule pelas derrotas, mas, hoje em dia, este é definitivamente um emblema cujos adeptos não se limitam a olhar para o resultado do totobola. Acredito que, a partir do momento em que cada adepto pensou, no mais remoto dos pensamentos, na possibilidade de o Sporting deixar de ser o que foi e o que é, que foi também esse pensamento remoto que acabou por erguer a actual estrutura física e psicológica que permite olhar o futuro com maior tranquilidade.

Nem oito nem oitenta. Como já aqui foi dito, não contem connosco para euforias desmedidas, tal como do mesmo modo acredito que, ao contrário do que muitos o querem fazer parecer, não somos o clube das grandes depressões. A cara deste Sporting, de 2013, de 2014 ou de 2090, não é singular, é a cara formada por milhões de sócios, adeptos e simpatizantes, cientes de que por vezes, a conclusão não se trata apenas de um resultado matemático e de mais 3 pontos para somar na tabela classificativa. É preciso de uma vez por todas compreender que, pelas melhores e pelas piores razões, o futebol está muito para lá das quatro linhas.

Mas, voltando ao início, e a Jardim, as caras de que o técnico fala não são iguais nas vitórias e nas derrotas, contudo, com a vitória – mais do que merecida – e a vontade manifestada frente ao Marítimo, o Sporting demonstrou que, depois do primeiro grande teste a doer, a motivação foi ainda maior e que, independentemente das várias caras que habitam neste grupo, a avaliação terá sempre de estar para lá de todos os semblantes e sinais externos, porque a vontade de continuar a escrever história está aí para ficar.