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Vamos a votos?

por 5 de Outubro de 2013Hoje é dia de Sporting, Os textos do Damas0 Comentários

Terminada a onda de autárquicas, também no campeonato se depositam votos. Com seis jornadas já disputadas, a classificação começa a apresentar uma estrutura porventura semelhante aquela a que iremos assistir no final da época. E há quem, desde logo, se apresse a votar moções de confiança ou de censura aos líderes das equipas.

Levando em conta as expectativas de um campeonato recheado de altos e baixo, no Sporting, o arranque da temporada tem corrido de feição. Se, primeiro se procurou essencialmente o caminho das vitórias financeiras e burocráticas, a verdade é que o aparente equilíbrio financeiro e o fim da novela “Sporting vs banca + investidores” não sobrevive por si só, sem golos. Ora, se no primeiro território Bruno de Carvalho tem cumprido e dado bem conta do recado, também Leonardo Jardim não fica a dever à concorrência.

Uma das ideias que mais se ouve em relação ao treinador – aliás, uma frase feita com a qual pactuo – é que Jardim “sabe o que quer”.

Pode dizer-se com propriedade que, no banco leonino, mesmo que pejado de memórias e cheio da figura de Bruno de Carvalho, quem reina é o rei Leonardo. Nem a tão falada presença do presidente tem ofuscado a prestação de Leonardo Jardim. Brilhante? Ainda não. Porém, desde as primeiras impressões até às mais recentes exibições da equipa, o técnico tem passado com distinção.

O 2º lugar – e o consequente ânimo que aumenta as probabilidades de ver esse lugar melhorado –, a surpreendente capacidade ofensiva e a dinâmica de jogo bem presente, bem como a capacidade de exploração dos recursos já originários do universo Sporting – Rúben Semedo e Carlos Mané foram convocados para o jogo deste sábado em Alvalade – são apenas alguns exemplos do esforço que o técnico tem feito para devolver a confiança ao mundo leonino.

Do lado dos equívocos mais directamente relacionados com escolhas de Jardim, dois nomes: Welder e Gerson Magrão. Tal como na notícia de fim de Julho, que dava conta de que tinham sido “garantidos de uma assentada dois reforços”, não será uma surpresa que a mesma notícia seja em breve replicada com outros contornos. É quase certo que ambos terão muita dificuldade em impor-se neste Sporting jovem na idade mas maduro na ambição.

A contratação Gerson trazia no sidecar a versatilidade e a multiplicidade de posições, mas a verdade é que o brasileiro acaba por não ser opção para nenhum dos lugares. Quanto a Welder, será mais um caso de contratação para observação in loco ao longo da época.

Leonardo Jardim afirmou esta semana que ele próprio «pertence a um grupo de trabalho» em que «os principais responsáveis são os seus jogadores, são eles que jogam», mas a ninguém é indiferente que, mesmo com alguns erros de casting, o grau de organização atingido pela gestão do técnico é louvável e incomparável a alguns exemplos não muito distantes.

Tal como por aqui já se disse sobre Jardim, «É precoce o sucesso, sem dúvida. Mas a selva já fala no novo leão e no seu treinador». As virtudes e as fragilidades da equipa estão à vista, expostas, e Leonardo não as esconde, mas também não esconde que domina de forma perfeita o conhecimento sobre as fragilidades dos adversários. E é neste quadro que a unanimidade perdura: de olhos fechados e independentemente do resultado em Alvalade, Jardim merece bem mais do que um voto.