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Mais uma lição

por 29 de Outubro de 2013Os textos do Damas0 Comentários

Era um jogo altamente decisivo, onde se iria colocar em evidência o que valia verdadeiramente a jovem equipa do Sporting Clube de Portugal. O “pseudocandidato” ao título tinha apenas dois caminhos possíveis: ou a confirmação desse estatuto, fruto da qualidade do futebol que iria demonstrar nesses noventa minutos, ou voltaria a ser uma equipa muito aproximada á da temporada passada, que apagaria assim o que foi feito desde o início da Liga.
Esta era a visão dos nossos jornais desportivos, fiéis que se mantém á ideia de que o Sporting nunca pode, tendo em conta o passado recente e o plantel que construiu, ocupar os lugares cimeiros da tabela. Mas esses noventa minutos no Estádio do Dragão, saldando-se numa derrota leonina, acabam por trocar as voltas à grande maioria dos jornalistas desportivos deste país.

Os jovens leões, dos quais seis portugueses, entraram com vontade de discutir o jogo de olhos nos olhos com a experiente equipa do FC Porto e, depois de sofrer o golo numa grande penalidade indiscutível, conseguiu mesmo mostrar que o Sporting do passado recente morreu. Frente a uma equipa recheada de jogadores titulados, muitos foram os momentos que estes não conseguiam sair a jogar devido á pressão e capacidade de recuperação dos leõezinhos.

Na segunda parte, o golo já se adivinhava e assentou muito bem em William Carvalho, o melhor dentro das quatro linhas. Porém, a falta de experiência competitiva veio ao de cima, permitindo o 2-1 logo de seguida. Ainda assim, o Sporting voltou a erguer-se e, antes do 3-1 que acabou por “matar” o jogo, por duas vezes o jogo poderia ter voltado a ficar empatado.
E que bonito, e merecido seria, sair do Porto com pontos. Mas, recebendo este resultado com a cabeça bem erguida, vestindo a pele, como outros não o fazem, de vencido mas honrado, importa tirar ilações.

Em primeiro lugar a defesa. A dupla de centrais, longe de ser insatisfatória e tendo em conta que o adversário direto foi Jackson Martínez, um dos melhores avançados a atuar em Portugal, cometeu erros desnecessários, principalmente na abordagem aos lances. Ficou na retina a deficiente cobertura de Rojo no lance em que Danilo faz o 2-1. Cédric também esteve longe do seu melhor, mas Iván Piris cumpriu com grande qualidade a missão que lhe foi confiada.

No meio-campo e ataque, a intenção de jogar com as linhas muito abertas previa o problema da falta de comunicação e esse foi evidente. A equipa não se sentiu muito confortável a alinhar dessa forma mas, paradoxalmente, foi assim que evitou que o FC Porto fosse mais afirmativo no seu futebol. Porém, o afastamento dos jogadores tornou mais difícil a ação de André Martins ou de Montero, por exemplo, jogadores que gostam muito da proximidade dos companheiros para se afirmarem no jogo.

A derrota foi importante pela lição que foi apreendida pelos nossos jogadores. Mas foi também importante para todos aqueles que olham de fora e ainda o fazem com escárnio. O Sporting mostrou que está bem vivo e capaz de se bater de igual para igual com qualquer adversário. Para nós, sportinguistas, esta foi mais uma prova de que os nossos rapazes merecem, e de que maneira, o nosso apoio pois a camisola que envergam acaba o jogo ensopada de suor.

Nota final para os incidentes antes do jogo. O facto dos “adeptos” violentos serem, quase na sua totalidade, pertencentes a fações leoninas é conveniente, dado o historial violentíssimo da nossa massa associativa. Mas, a confirmar-se a sua preferência pelas nossas cores, apenas lhes peço uma coisa. Apoiem o Sporting e vão o estádio para apoiar. Se o objetivo é aquele que se viu, ficar em casa acaba por ser melhor para todos, que queremos fazer do futebol um espetáculo bonito de se ver por todos.