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Euforia? Aqui não.

por 25 de Outubro de 2013Os textos do Damas0 Comentários

«Não podemos passar da pior época de sempre para a melhor de sempre». Esta é a frase que serve e tem de continuar a servir, como resposta a um rótulo que diariamente é colado a cuspo e tem preenchido as manchetes dos diários desportivos. Facilmente e de forma sistemática, tenho reparado que as “gordas”, que estão escritas de acordo com a realidade, não são mais do que um presente envenenado. O Sporting é o melhor ataque da Europa, o Sporting tem a equipa mais jovem da Europa, o Sporting é a única equipa que ainda não perdeu, o Sporting luta para ser campeão. Mas se o Sporting – para mim ganhamos 1-2 – não vencer o próximo adversário? Estamos fora do título? Somos candidatos ao terceiro lugar? Querer dizer que todo o trabalho vai por água abaixo?

Quando falo em presentes envenenados, refiro-me aos que hoje escrevem falácias em forma de contos maravilhosos, textos que colocam esta equipa no patamar do melhor futebol que existe na Europa, textos em que o Sporting está a roçar a perfeição e que luta ombro a ombro com o Barcelona e Dortmund. Esses, amanhã não perderão a hipótese de crucificar um Sporting que até há uns meses atrás, não seria mais que um leão amarrado a um passado tenebroso e incapaz de ser reerguido.

E se ganharmos? Somos campeões?

Particularmente, não sou dos que gosta de embandeirar em arco e muito menos de euforias desmedidas, o Sporting e o meu percurso como Sportinguista apaixonado, ensinou-me a controlar estes impulsos, esta vontade desenfreada de querer o meu clube campeão. Afirmar à 7ª jornada que somos candidatos ao título, penso que seja um exagero. Até ao momento, o Sporting realizou melhores exibições do que fracas prestações, é verdade, mas também já falhou. Ao virar da esquina, estão 5 jogos que colocam o Sporting sob fogo cerrado, e em que vai ser preciso aplicar a mentalidade do jogo a jogo e não desmoronar no primeiro contra-tempo. Penso e desejo que em nenhum dos cenários se altere em nada, a forma de trabalhar de toda a estrutura do Sporting. O Sporting está a criar raízes num modelo sustentado, apostado em fazer um trajecto com as conquistas no horizonte, mas tudo tem um princípio, meio e fim.

Quem parece distante de toda esta azáfama jornalística, é Leonardo Jardim e a sua equipa. Sem retirar um pingo de ambição, que é a obrigatória num clube como o Sporting, e com um pragmatismo doseado de forma correcta, o discurso do técnico leonino tem estado, metaforicamente falando, ao nível das prestações da sua equipa. Nada de euforias, nada de candidatos ao titulo, nada de cenários mirabolantes e nada de coisa alguma que possa destabilizar e retirar a serenidade e a tranquilidade que se respira no seio do plantel.

Agora, que chegue Domingo, porque, como diz um grande amigo meu: “A chinela vai cantar!”