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Um orgulho que me faz sonhar

por 2 de Setembro de 2013À saída do estádio0 Comentários

Confesso que este empate teve um travo amargo. Este foi daqueles que custou a digerir. Uma vitória que esteve mesmo ali, à mão de semear e que desapareceu num abrir e fechar de olhos de 20 minutos. Nesta partida foram 70 minutos de sentido único. O Sporting foi sempre superior, nas estatísticas, no campo, nas bancadas, na entrega, na ambição, na vontade, no querer e em tudo mais. No fim, fica a ideia que perdemos dois pontos, e no fundo, foi isso mesmo que aconteceu.

A jogar contra 11 galácticos, a equipa do Sporting – diga-se a única equipa em campo – conseguiu reduzir o poderio atacante e o futebol espectáculo, a uma espécie de futebol de rua, onde cada um se exibe com os seus dotes de nota artística mas que em termos de sentido colectivo e pratico, de pouco ou nada valem.

Os nossos rapazes, realizaram uma excelente primeira parte e uma boa exibição ao longo dos 90 minutos. Com um meio-campo fortíssimo e em ritmo acelerado, o futebol do adversário ficou estancado, sem espaço nem tempo para trocar a bola. O Sporting galvanizou-se e presenteou os 46 mil adeptos com 45 minutos de altíssimo nível, com um futebol simples, uma atitude enorme e uma alma gigante. Ao mesmo tempo, na bancada, vivia-se um ambiente verdadeiramente arrepiante. Muitos cânticos, muitas palmas e uma alegria que chegou a contagiar até os mais comedidos. 


Na esmagadora maioria do tempo de jogo, o Sporting apresentou-se bastante personalizado e muito ciente das suas ideias. Na defesa, houve muito entrosamento e muita segurança, com Jefferson em especial destaque. O lateral esquerdo leonino fez um “jogaço”. Os elementos do meio-campo – e que três! – formaram um núcleo duro. Delinearam estratégias, organizaram as saídas para o ataque e controlaram os tempos de jogo, foram sem sombra de dúvida, os principais responsáveis pela dinâmica do futebol leonino. William Carvalho, foi o tampão da equipa. Foi soberbo nas recuperações de bola e no preenchimento dos espaços e a juntar às suas qualidades de trinco, este puto, tem ainda uma capacidade de passe impressionante. Depois, Adrien. E que Adrien! Ajudou, William Carvalho, tabelou com André Martins, roubou bolas, deu três ou quatro nós cegos, jogou e fez jogar, foi inteligente, prático, etc… O camisola 23, foi na minha opinião o melhor em campo. A completar este trio do meio-campo, juntou-se André Martins. A jogar praticamente de olhos fechados com Adrien, o pequeno, grande André, foi o motor do ataque leonino. Apareceu muito bem no espaço vazio e muitas vezes, inteligentemente, nas costas de Cortez. Jogou ao primeiro toque e em constantes «tabelinhas», o que permitiu à equipa desenvencilhar-se da pressão do meio-campo contrario. No ataque, tanto Carrillo como Wilson Eduardo, estiveram algo intermitentes, sobrando apenas Montero. O Colombiano, continua a marcar e a empolgar Alvalade mas há mais neste jogador. Tem um toque de bola fantástico, joga muito bem de costas para a baliza e trocou muitas vezes as voltas à defesa encarnada. Montero, fez um remate e marcou um golo, não se pode pedir mais, contudo para lá dos golos, o sentido colectivo e a mobilidade com que se apresenta em campo serão também algumas das armas que servirão para ajudar o Sporting em jogos com equipas teoricamente mais fracas. 


Em suma, o empate sabe a pouco. Muito pouco, diga-se de passagem. Mas o orgulho, esse, está cada vez a aumentar mais, esta cada vez mais presente no seio da nação leonina. O jogo acaba e aplaudo de pé os meus rapazes. Depois desço a escadaria de Alvalade, de cabeça levantada e com um orgulho desmedido que me atravessava na alma por fazer parte de um clube como este. Embora os 90 minutos não tenham sido premiados com a vitória, o Sporting está época, continua a ganhar. Esta equipa devolveu-nos a alegria de ver jogar o Sporting, devolveu-nos as noites mal dormidas, tal é o nível de ansiedade, devolveu-nos o orgulho de lutar e puxar pelos onze leões que vestem a nossa camisola. Este Sporting, tem um rumo, tem um presidente, um treinador e vinte e um bravos leões. E nós - Sportinguistas - o sonho de um futuro radiante. Um futuro que começa a ganhar contornos reais e que nos leva a imaginar que um dia tudo será "verde e branco". Neste momento, é impossível não sonhar com um futuro risonho. Eu vou sonhar e quero sonhar, até porque, como diz António Gedeão: " O sonho comanda a vida".


Sporting Sempre