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O passado volta sempre

por 10 de Setembro de 2013Os textos do Damas0 Comentários

O passado nunca fica lá atrás, sem nada dizer nem influenciar o futuro. Volta sempre para atormentar o presente e o futuro, lembrando que tempos houve em que a ganância e a falta de princípios dominaram. É assim com as nossas vidas, em todos os domínios que dela fazem parte, mas na vida do Sporting Clube de Portugal o mesmo também ocorre.O relatório e contas da temporada 2012/2013 é absolutamente indigno do que foi e do queremos que seja o Sporting. O prejuízo de 43,8 milhões de euros, aliado a algumas operações de “engenharia financeira” que até á data eram desconhecidas, destrói tudo aquilo que foi o mandato da direção presidida por Godinho Lopes.

Eu apenas pergunto como é possível isto acontecer em pleno século XXI, numa entidade desportiva da importância do Sporting Clube de Portugal, como se fosse uma autêntica sociedade secreta. Pagamentos escondidos, fazendo com que os sócios desconhecessem valores despendidos em diversas contratações, a falta de habilidade para criar receitas e a incapacidade de perceber o rumo destrutivo que o Sporting então seguia é simplesmente nojento.

Sim, nojento. Nojento é o adjetivo perfeito para descrever tal situação. A vida de um símbolo do nosso país, do amor de milhões de nós, de uma das maiores escolas de formação futebolística do Mundo foi vilipendiada e tratada como se fosse uma mera empresa de fachada. Lá dentro haveria muito dinheiro a circular, disso não tenho dúvidas, mas nenhum foi canalizado para o que devia ser feito, para o bem-estar do Sporting.

A situação enfrentada pela direção de Bruno de Carvalho era assim “sufocante”. Agora percebemos o porquê de tão grande reestruturação. O futuro estava mesmo em causa e era mesmo preciso cortar em tudo o que fosse possível. Só assim se poderia, como Bruno de Carvalho conseguiu, a conclusão de um projeto de reestruturação realista e que tem sido aplicado com todo o mérito da direção leonina.

Como comecei acabo este texto. O passado volta sempre atrás. Um comunicado de ontem do Sporting Clube de Portugal, em resposta aos meios de comunicação social e a alguns empresários que continuam a atacar o nosso clube, elucida todos sobre a inexistência de dívidas para com Evaldo e Elias, a aceitação, por parte do empresário de Bojinov da rescisão de contrato e ainda sobre a situação de Labyad. Esta terá sido uma opção de gestão desportiva que, tentando colocar o jogador noutro emblema, todas as propostas terão sido rejeitadas pelo mesmo, mantendo assim um braço de ferro com a direção para a reintegração no plantel principal.

Sim, todos estes elementos são passado. Nenhum pode fazer parte do presente e futuro, pese embora a qualidade futebolística. Esse tempo já lá vai. Agora a gestão é criteriosa e sabedora do que o clube pode comportar. Quem não quiser aceitar as regras do jogo e servir com dignidade a camisola do leão teria, se ainda existisse o Estádio José Alvalade, a porta 10-A como saída, mas agora poderá sair pelo portão da garagem, sem qualquer tipo de mordomia.