Haverá melhor Diretor?

por 7 de Setembro de 2013Os textos do Damas0 Comentários

Começo este texto por constatar um facto que há muito os sportinguistas, talvez por estarem afastados ou por darem mais importância ao futebol, não conseguem discernir. A tradicional hegemonia do Sporting Clube de Portugal no atletismo nacional, longe de ser uma miragem, já não é esmagadora como antes. A saída de Moniz Pereira e Bernardo Manuel, aliados aos constrangimentos financeiros que asfixiaram a secção de atletismo fizeram com que tivesse que ser feito mais com menos meios. Por outro lado, o nosso principal rival, utilizando métodos mais ou menos sérios, foi-se reforçando com alguns dos nossos atletas e com algumas mais-valias nacionais.O resultado está á vista. Nos Campeonatos de Nacionais de Crosse, na vertente longa, a vitória escapa há alguns anos, apesar de sermos o emblema tradicionalmente mais forte, ainda que atenuado pelo domínio da disciplina curta. Desde 2010 que o Campeonato Nacional de Pista foge aos atletas masculinos enquanto nos femininos ainda se mantém o domínio verde e branco. E o ano de 2000 está muito longe, com a conquista da Taça dos Clubes Campeões Europeus de Pista. Os estrangeiros, com qualidade tal atestada pelas medalhas conquistadas em Jogos Olímpicos para os respetivos países, já escasseiam, ao passo que o triunvirato Francis Obikwelu, Rui Silva e Naide Gomes caminha a passos largos para a veterania.

A direção de Bruno de Carvalho, depois de fazer o diagnóstico da situação, que nunca poderia ser muito longe deste resumo que fiz agora, tomou a decisão ideal. Carlos Lopes, como novo diretor do departamento de atletismo, tem tudo para ser um estímulo que leve o leão a ser novamente dominador em pistas, na estrada e no crosse.

O seu currículo fala por si. Mais de 25 títulos nacionais e internacionais, venceu a primeira medalha de ouro lusitana na mítica maratona dos Jogos Olímpicos de Los Angeles que, em 1984, levou a que milhões de portugueses passassem a noite em claro para ver o feito do leão. Já em Montreal, em 1976, havia ganho a medalha de prata nos 10.000 metros. E são inesquecíveis os feitos conseguidos com Fernando Mamede e tantos outros, contribuindo par que nós, adeptos do Sporting Clube de Portugal, fossemos a estádios não para ver futebol, mas para ver estes atletas sobrenaturais.

Estaexperiência acumulada, faz dele uma das mais importantes personalidades, se não a mais importante, do atletismo nacional. E, sabendo que a aposta forte irá inteiramente para a formação, será que algum jovem atleta irá recusar um convite do Sporting Clube de Portugal, se Carlos Lopes em pessoa, e porventura Moniz Pereira, lhe baterem á porta de casa?