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É de Leão

por 29 de Setembro de 2013À saída do estádio0 Comentários

“Acredito e acredito mesmo que daqui a umas horas, entrarão onze leões em campo, com vontade de conquistar mais três pontos. Onze leões que de unhas cravadas na relva e a rugir bem alto, estarão prontos para vencer um clube que de grande só tem o primeiro nome.” No último post, relembrávamos que era necessário acreditar. Acreditar que aquela equipa em construção iria a Braga mostrar quem é o verdadeiro Sporting de Portugal, o verdadeiro grande. E elucidávamos o que iria ser preciso para vencer. Garra, ambição e muito espírito de sacrifício. Raras vezes uma antevisão de um jogo bateu tão certo como esta. Cientes de que o Braga iria colocar muitas dificuldades aos nossos onze leões, a necessidade de marcar cedo para poder controlar a partida era imperiosa. E assim foi. Fredy Montero, sempre ele, disse sim à bola vinda de um pontapé de canto e mostrou logo aos quatro minutos a verdadeira raça do leão, uma equipa que gosta de mandar e que precisa de muito pouco para poder chegar ao golo.

Todas as equipas têm defeitos. E logo a seguir ao golo esses vieram ao de cima. A apatia que se viu frente ao Rio Ave voltou, o meio-campo parecia ter bolas de ferro presas aos pés e o ataque era inoperante, não obstante o trabalho feito por Montero em constante luta com os centrais. O golo do empate, algo consentido por esse meio-campo lento, surgiu no pior momento do jogo do Sporting, mas também no melhor do Braga, que mostrou que com Jesualdo Ferreira, está longe de ser melhor do que o era com José Peseiro. Logo de seguida, e quando o jogo parecia caminhar calmamente para o intervalo, veio o momento do jogo. O roubo de bola de Montero, outra vez o colombiano, a Paulo Vinicíus e a sua lesão e a expulsão de Aderlan Santos quando o ponta de lança leonino avançava sozinho para a baliza de Eduardo. Muitos dirão que foi sorte, nunca questionando a justiça da decisão, mas eu afirmo que, sabendo das regras do jogo, os jogadores têm de conseguir trabalhar de acordo com elas para poder satisfazer as necessidades da equipa. O derrube é claro e a expulsão era a única decisão possível, mas a lesão do outro central é aquele pedaço de fortuna que qualquer grande equipa deve ter para poder vencer. A segunda parte foi totalmente do Sporting.

Com menos um, os arsenalistas abdicaram do epíteto de “grande” que tão gosta de alardear e deixou que a equipa de Leonardo Jardim tivesse facilidade para chegar à área de Eduardo para criar perigo. Depois de um festival de golos falhados e de excelentes oportunidades desperdiçadas, muitas delas por culpa própria, já poucos acreditavam.

Mas a equipa não esmoreceu nem se desmontou e foi através de um elemento que ninguém esperava que a vitória foi conquistada. Foi “arrancada a ferros” por um pontapé de raiva de Cédric que os três pontos e o segundo lugar foram conquistados pelos leões, colocando justiça no resultado. No Minho ficou provado, mais uma vez, que esta equipa não é aquilo que os jornalistas desportivos querem fazer crer. Não é em Alvalade que mora uma equipa de depende muito da sorte e de algumas decisões tomadas pelos senhores do apito. O nosso leão é defendido por onze outros leões, de aparência humana, mas com um coração e um querer como há muito não se via numa equipa tão subestimada no nosso país. Quem é que não gostaria de jogar nesta equipa?

Nota final para as vitórias no futsal e no andebol. Os primeiros responderam bem ao empate com o Rio Ave e foram a Porto Salvo vencer os leões locais. Uma prova de fogo num terreno onde poucas equipas irão certamente vencer. Os segundos foram também vencer o anterior líder, o Águas Santas, passando a liderar à condição o Campeonato Nacional. É mais uma vez a prova de que não é preciso contratar estrelas internacionais para formar uma das melhores equipas em Portugal. E é mais uma prova do bom trabalho que se tem feito no nosso clube. Sporting não de Lisboa, mas de Portugal