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Via verde para o presente

por 25 de Agosto de 2013À saída do estádio0 Comentários

«Quero agradecer o apoio de todos os que estiveram neste estádio», disse Cedric. «Os nossos adeptos foram exemplares e acreditam na equipa. Nós também contamos com eles», disse Wilson Eduardo. São apenas dois dos muitos exemplos que se poderiam retirar do estado de espírito da equipa no final do jogo com a Académica. Por estes dias, equipa e adeptos vivem um momento único, mas que, ao contrário do que a história conta e do que outros nos mostram, parece não ter fim à vista.


Depois da estreia em Alvalade, a “Onda Verde” encheu Coimbra e ajudou à conquista de mais três preciosos pontos. Foguetes? Nada disso. Confiança? Total. Acima de tudo: ânimo.

Ânimo com uma equipa que joga futebol com alegria e ânimo de uma equipa que, talvez sem os argumentos de outras épocas, promete dar tudo o que tem nos 90 minutos que lhe são concedidos. Se perguntarem a qualquer sportinguista sobre as garantias de um Sporting campeão, a resposta será mais ou menos assim: “Está a correr bem, pá. Até ver, está a ser bonito”. Todos sabem que vai ser muito, mas mesmo muito difícil, mas ninguém, mas mesmo ninguém, atira a toalha ao chão.

Este mesmo chão, ou melhor, estas areias movediças do futebol português, já se sabe, não são apenas futebol de passes e remates. Antes, compreendem o que de melhor, mas também o que de pior existe neste desporto. Manhas e outras chico-espertices que, ainda que sabiamente utilizadas e amplamente elogiadas, só afundam ainda mais um sector já de si acorrentado a poderes e ingerências de origens ainda mais duvidosas. Mas, já lá vamos.



Académica 0-4 Sporting. Foto: zerozero.pt


Recuperando o tema das possibilidades ou da falta delas, as vitórias por 3, 4 e 5 golos ou mais não vão durar o resto da época, portanto, para já, é aproveitar contando que, jornada após jornada, o resultado da equipa seja sempre o culminar de um trabalho árduo, de uma entrega total e de uma ponta de sorte que, como se sabe – por vezes até demais –, será sempre necessária.

Até ver, o onze inicial é ainda uma incógnita. Frente à Académica, Leonardo Jardim voltou a mostrar que as alterações e as substituições vão surgir até que o equilíbrio entre os sectores seja o maior possível. Mais. Mesmo com os dois primeiros resultados a saírem de feição, Jardim não parece acomodar-se às circunstâncias, deixando claro, para dentro e para fora do plantel, que não há lugares cativos. Nem para os jovens que se assumiram na época passada e que rapidamente foram elevados a novos heróis, bem como para contratações mais sonantes e com posição de maior evidência no universo leonino.

É preciso recordar que Eric Dier – um dos mais acarinhados e que mais fez no último terço da época passada – ainda não entrou no onze; Diego Capel – um dos favoritos dos adeptos e dos que mais garra demonstra em campo – tem partido do banco e ainda é possibilidade para sair; Slimani é ainda uma novidade cujo diagnóstico é difícil de realizar; Rinaudo, capitão e por todos considerado o pulmão da equipa, tem sido aniquilado pelas exibições de William Carvalho; e Gerson Magrão e André Martins ainda lutam por um lugar no meio-campo. E que meio-campo! Os três elementos da linha média têm sido, a meu ver, a grande surpresa deste arranque. Um meio-campo destemido, que não receia jogar em posse, que não se apressa nas decisões, ágil nas variações de flanco, coordenado nas distribuições de tarefas e, acima de tudo, coeso. Um meio-campo em que, de entre os elementos escolhidos para ocupar os lugares, nenhum deles se destaca. Três elementos que actuam como um só, sem vedetismos e com enorme sentido de responsabilidade. Duro quando deve ser, técnico quando o adversário assim o impõe.

E, nas equações, ainda falta Bruma. Não querendo alongar demasiado o discurso, ainda para mais quando a certeza sobre o desfecho do processo é ainda uma miragem, ficam apenas algumas considerações. «Sporting 1-0 Bruma», dizia a primeira página de um dos jornais desportivos de referência. No meu entender, este não foi nem o primeiro jogo nem a primeira batalha ganha pelo Sporting em toda esta trapalhada. Neste plano, à semelhança do que tem acontecido no campeonato e dentro das quatro linhas, o Sporting tem sabido gerir os tempos e tem goleado, claramente, e sem sombra de dúvidas.

Os últimos dias, como tem sido notório, têm sido também acompanhados pelas alterações de comportamento dos acompanhantes do luso-guineense. Cinco ou dez minutos de entrevista em programas em directo – e com as perguntas certas  foram suficientes para perceber que, mesmo com aquela espécie de discurso, meio esquivo, desde o início que o argumento da defesa do jogador não colhe.

Para terminar, mais uma taça. Depois da Supertaça em andebol, desta vez o futsal. Vitória por 3-2 contra o principal adversário a nível nacional e uma Taça de Honra da AF de Lisboa para o currículo. Em frente, Sporting!


O Sporting somos nós.