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Bye-bye

por 30 de Agosto de 2013Os textos do Damas0 Comentários

Com o aproximar do final do mercado de transferências, o extenso novelo de novelas, que nos últimos tempos tanto tem marcado as parangonas e o quotidiano sportinguista, começa finalmente a ganhar uma forma definitiva.


Os derradeiros jogadores a deixar Alvalade foram: André Santos, Atila Turan e Oguchi Onyewu. Três casos resolvidos, mas que dizem muito da dificuldade leonina em colocar excedentários por valores minimamente justos e que não se quedem pela simples rescisão contratual. Ainda que as saídas acabem por facilitar o orçamento, já que não envolvem nenhuma comparticipação nos ordenados ou indemnização para o jogador, a não valorização dos activos ou, no mínimo, a compensação pelo esforço financeiro exercido no acto da compra, revelam que o caminho da actual direcção será muito longo e tortuoso até que “as coisas” estejam finalmente em ordem.

Para além destes, Bojinov, Pranjic, Boulahrouz e Jeffrén, são apenas mais alguns do rol de dúvidas a dissecar até ao fim do mês. Trata-se de muitos nomes e de outras tantas decisões importantes para tomar, mas com uma certeza: cada caso é um caso, que, como tal, deve ser analisado de forma independente. Ainda que as dificuldades acabem por ditar alguma da estratégia, é impossível pensar-se que a actual estrutura deve chegar e terraplanar tudo o que está para trás. Apesar de muitos erros cometidos e de muitos milhões esbanjados em contratações sem nexo e com pouco ou nenhum impacto desportivo no clube, falar do central norte-americano não é o mesmo que falar do avançado búlgaro, tal como falar de Atila Turan não é o mesmo que falar de Daniel Pranjic, e por aí em diante.



Oguchi Onyewu. Sporting 2011/12

Falemos, por exemplo, de Onyewu. Contratado em 2011/12 ao AC Milan, a custo zero e com um contrato de três temporadas, o central foi um dos exemplos de mau acto de gestão, acima de tudo desportiva. Depois de uma temporada a um nível relativamente bom – lembro que foi dos poucos centrais a conseguir resolver jogos com golos de cabeça durante os últimos anos –, Onyewu foi marginalizado, encostado à prateleira e practicamente impossibilitado de dar o contributo à equipa, sendo posteriormente emprestado ao Málaga. Resta saber se por Godinho Lopes ou apenas e só por Sá Pinto, o técnico de então.

Facilmente adjectivado de “tosco”, de “pinheiro” ou de “não ter rins”, o norte-americano, do alto dos 1,94 metros, sempre soube defender pelo chão, mostrando agilidade, capacidade de intercepção, e até uma velocidade considerável, ao contrário do que se pretendia fazer crer. Pormenores físicos e atléticos que poderiam ter sido aproveitados – quem sabe ainda esta temporada – e que sempre foram ao encontro de uma veia de profissionalismo e dedicação que cada vez mais escasseiam por entre os atletas. Recorde-se que as palavras de Onyewu sobre o Sporting sempre foram as mais elogiosas, agradecendo desde logo o convite para o projecto, e o comunicado da SAD é a prova disso mesmo: «A Sporting SAD agradece a Oguchi Onyewu a sua excelente temporada na época de 2011/12 e o seu profissionalismo, desejando-lhe a melhor sorte para a sua carreira, tanto a nível da selecção como de clubes».

Porventura com melhor sorte na estrutura que dirige o clube e o plantel, à imagem do norte-americano, também André Santos e Atila Turan poderiam ter dado mais ao Sporting. Neste caso, ao contrário da simples rescisão, o clube acaba por ficar com 40% da verba de uma venda futura do francês e de 35% no caso de uma transferência do português.



Bruma / Sporting

E ainda resta Bruma. Por mais textos que aqui escrevamos e por mais semanas que vão passando, o luso-guineense acaba sempre por surgir, no início ou no fim da conversa. Sem querer voltar ao “diz que disse”, deixo aqui um pormenor: o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol emitiu esta quinta-feira um comunicado sobre o caso Bruma (http://sjpf.pt//uploads/documentos/20130829160907_comunicadosjpf_versaoreduzida.pdf). Em 6 páginas e mais de 1700 palavras utilizadas, a palavra “Sporting” só por uma vez é mencionada. Talvez isto nos dê uma pista acerca da sobriedade como foi conduzido o processo por parte da direcção e também da inexistência de razões de queixa do sindicato – e, por conseguinte, também jogador – sobre a forma como o clube tratou Bruma e os seus direitos durante toda a trapalhada.

Entre outras coisas, diz o sindicato, em relação aos membros da Comissão Arbitral Paritária:

« – Ignoram que a carreira de um jogador profissional de futebol é de muito curta duração, pelo que se impõe restringir uma vinculação prolongada demasiado cedo, numa altura em que a capacidade negocial do jogador é diminuta

   – Ignoram que o jogador profissional é, manifestamente, a peça fundamental dessa indústria, mas também a mais frágil, e susceptível de aproveitamento por parte de inúmeros “oportunistas (…) procurando o lucro e só acessoriamente velando pelo interesse do jogador;
   – Ignoram que a maior parte dos jovens jogadores profissionais de futebol (…)vivem acompanhados por “agentes”, abandonando, pelas características da profissão, precocemente a escola, e portanto, têm um grau de autonomia e de expressão livre e consciente da sua vontade muito limitada.».

É também por estas razões, aqui invocadas pelo sindicato que defende os jogadores, que o Sporting se bate: por uma vinculação – que, no caso de ser longa, até pode ser favorável ao jogador em caso de doença ou lesão – e protecção do jogador em relação a estes e outros oportunistas, deste e de outros jogadores.



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