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O adepto tipo “C”

por 18 de Julho de 2013À saída do estádio0 Comentários

Neste segundo jogo particular frente ao modesto – para ser simpático – Kitchener, a sensação é de que o Sporting arrancou a ferros uma vitória, tendo em conta o adversário, que peca por demasiado escassa.

Se vocês pensam que vou começar a insultar o Sporting, como diz A. Inácio: «tirem o cavalinho da chuva». O que eu quero realmente é deixar uma mensagem ao adepto do tipo “C”.

E, perguntam vocês, o que é isso do adepto tipo “C”? Pessoalmente, nunca me deixei embalar pelas loucuras dos jogos de pré-época, e isto porque aprendi imenso com um clube rival que esteve anos a fio a ser apelidado de campeão das pré-temporadas. Por esta e por mais algumas razões, os resultados e as exibições valem o que valem. A pré-época é importante na preparação física e na construção dos mecanismos da equipa, contudo, não é por ganhar ou perder todos os jogos nesta fase que se define ou se prevê o futuro da equipa para uma época que ainda agora está a começar. Adiante.
Neste teste, que afinal de contas é só isso mesmo, deparei-me com reacções escandalosamente surpreendentes por parte de adeptos leoninos. Desde «Com este plantel eu tenho a certeza que metade dos jogos fora não vamos ganhar»; «O Sporting ultimamente vive demasiado da pena»; até ao «Este ano já se viu o que vem aí»; «Outra vez sem ir à Europa»; consegui ler um pouco de toda a verborreia que estes adeptos tipo "C" conseguem debitar, e confesso que isso me deixa perturbado e apreensivo.
Só quem anda afastado da verdadeira realidade leonina é que não tem noção de que este será um ano difícil e com muitos obstáculos e barreiras para ultrapassar. Mas, é aqui que nós, os adeptos no verdadeiro sentido da palavra, entramos, abafando este tipo de sportinguismo mesquinho que ainda ecoa nos corredores de Alvalade.

O Sporting venceu uns amadores por um escasso 1-2, é verdade. Isso é fraco? É. É mau? Não. Então o que dizer do Manchester United, que perdeu 1-0 com o todo poderoso Thai All-Star? E o Chelsea de Mourinho, que venceu apenas por 1-0 o colosso Singha (clube tailandês) ou o Tottenham, que empatou com o Swindon Town da terceira divisão? Para os adeptos destas equipas será bastante mais penoso. Equipas que valem milhões e que, pelo andar da carrugem, este ano vão descer de divisão, dizem os adeptos do tipo "C".

Ora vejamos aquilo que considero ser o mais interessante dado em relação ao jogo de ontem: "No onze que termina o jogo, apenas dois jogadores - Maurício e King - não são da formação do Sporting". É exactamente este o ponto a que nos devemos agarrar com unhas e dentes, porque é precisamente este o caminho que é necessário palmilhar até ao sucesso.

Neste momento no clube de Alvalade, paralelamente às extremas dificuldades financeiras, reside certamente uma das melhores gerações de sempre da "fábrica" do Sporting Clube de Portugal. Tiago Ilori, Eric Dier, João Mário, Betinho, Ricardo Esgaio, Filipe Chaby, Fokobo, Zezinho, Ruben Semedo, Carlos Mané, Iuri Medeiros, João Palhinha, Tobias Figueiredo... É muito talento para um clube só! Não podemos desanimar e muito menos perder a esperança de que estes jovens de hoje serão o grande Sporting de amanhã.

Logicamente que salpicar estes miúdos com alguns graúdos favorece o plantel, bem como o crescimento dos mais novos, mas nenhum de nós foi ensinado na escola à base de assobios ou de vaias e nenhum de nós aprendeu a escrever ou a ler sendo constantemente apupado ou insultado. O culto da exigência tem de ser imaculadamente defendido, até porque a nossa história centenária assim o obriga. Porém, é preciso também ajudar a criar um culto de apoio incondicional aos nossos miúdos. Miúdos esses que, não tenho a menor das dúvidas, dentro em breve colocarão novamente um país pintado de verde e branco.

Se estes adeptos do tipo muito "C" pensam que o tantas vezes referido modelo "à lá Borussia" apareceu do nada, desenganem-se. Se realmente queremos um modelo à Sporting, é preciso incentivá-lo, acarinhá-lo e apoiá-lo incondicionalmente a partir de hoje, e com fé de que dê frutos o mais rapidamente possível.

O "C" é a primeira letra da palavra que retrata este tipo de adeptos. E vocês, que têm uma imaginação fértil e de extrema perspicácia, facilmente encontram o termo que serve para os adjectivar.

Num último parágrafo, aproveito para lamentar e, de certa forma, criticar que a direcção do Sporting, liderada por Bruno de Carvalho, não tenha conseguido arranjar uma forma de transmitir o jogo. Uma câmara e um comentador era o mínimo que se devia - e podia - ter arranjado. Adoptar o modelo de transmissões dos jogos da equipa B, através de um streaming, era mais do que suficiente para aqueles que não podem viajar (ironia: Mode on) até à América do Norte para assistir a um encontro amigável... E fico ainda mais chateado quando vejo que a Sport Tv consegue presentear-me com um jogo de preparação do Belenenses frente ao Reading.