dier

Maneiras de Ser

por 13 de Julho de 2013Os textos do Damas0 Comentários

“Next season I really just want to confirm myself as a main fixture in the starting eleven. I want to play as many games as possible and experience those big games that I did this season all over again. I want to keep playing and keep getting better.”


Eric Dier na entrevista que concedeu á Sky Sports no dia 6 de Julho.
Unanimemente considerada a melhor escola de formação do país e uma das melhores do mundo, o Sporting Clube de Portugal vê-se, neste momento atual, na exigência de se virar quase em exclusivo para os produtos que tão bem faz evoluir mas que, no passado, muitas vezes deixava escapar por entre os dedos.
Mas como uma escola de formação não são só os noventa minutos em que os jovens procuram levar a vitória para a Academia de Alcochete, nos últimos anos tem emergido uma linha de argumentação que defende uma maior articulação entre o corpo e a mente, trabalhando os dois campos ao mesmo tempo, sem descurar qualquer um deles.

Eric Dier é um exemplo dessa nova linha de ação. Chegou á Academia com apenas 10 anos, mas sempre se notou bastante qualidade futebolística naquele jovem inglês. Evoluindo num futebol quase exótico para qualquer futebolista britânico, não foi por isso que deixou de ser chamado á seleção nacional inglesa como se comprovou pela chamada, e titularidade, no Mundial sub-20 que agora irá findar.
Aquando do empréstimo ao Everton, onde permaneceu durante duas temporadas, muitos sportinguistas, onde eu me incluo, nunca imaginavam o regresso de uma das maiores promessas de Alcochete dos últimos anos. Mas o inesperado, para muitos, aconteceu. O jovem Eric sempre definiu como objetivo pessoal o regresso a Alvalade e consequente estreia na equipa principal. Esta temporada a oportunidade chegou e foi agarrada com unhas e dentes. Mas á medida que a época negra terminava, onde Dier tinha sido um dos destaques leoninos, muitas notícias surgiram apontando o interesse de emblemas britânicos. Porém, este mostrou-se impassível, reiterando que ficar no Sporting Clube de Portugal significa para si um agradecimento a uma, como disse noutra entrevista, segunda família que encontrou no nosso clube.
Este caso entra em confronto com a maior novela do futebol português dos últimos anos. Eu sou bastante franco, não pretendo a manutenção de Bruma no plantel. Não quero elementos que não respeitem o nosso emblema e que apenas o tratam como um mero trampolim. Entristece-me saber da história do menino guineense que apareceu em Alcochete com apenas 11 anos, acabado de ser rejeitado pelo Benfica, foi educado e potenciado como jogador de futebol de leão ao peito e que se envolve – não envolvido – numa novela ao melhor jeito mexicano.

Não fico triste pela sua saída, apesar de toda a sua qualidade e potencial bem como um eventual retorno financeiro no futuro. Fico triste pela sua atitude, de quem não quer saber quem lhe paga, mas sim como e quanto paga. Fico triste por saber que em Alcochete ainda haverá elementos assim, que acabam por minar completamente um balneário e uma equipa.
O problema é que só assim se descobrirão outros casos semelhantes. Ainda assim, o exemplo de Eric Dier irá seguramente contagiar os jovens leoninos que procuram singrar no nosso clube, com o objetivo de não apenas potenciar as suas carreiras, mas sim mostrar todo o seu respeito e gratidão ao leão que lhes dá tudo quanto precisa e os educa, mostrando que a vida não é só futebol, mas toda uma imensidão de acontecimentos que os ultrapassam.
O Sporting Clube de Portugal tem também de aproveitar esta crise para mostrar a todos que está bem vivo. Não nos deixaremos pisar nem humilhar. Todos irão perceber o que é o Sporting Clube de Portugal e entender que só com esforço, dedicação e devoção irão chegar à glória.