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Sobrevivência

por 8 de Junho de 2013Os textos do Damas0 Comentários

Depois de anos sucessivos em que muito se falou numa situação financeira insustentável, falências técnicas e falta de dinheiro, a verdade é que a folha salarial do Sporting Clube de Portugal continuou a aumentar de uma forma nada equivalente com os rendimentos apresentados. Na última temporada houve mesmo salários em atraso, fenómeno crítico que colocou em Bruno de Carvalho, recém-eleito, a tarefa de fazer uma reestruturação profunda do universo Sporting.

O acordo com a banca, essencial para a sobrevivência do Sporting Clube de Portugal nos moldes em que existe na atualidade, teve como contrapartida obrigatória, a realização de um reestruturação financeira em que a componente do pessoal contratualmente ligado é uma peça essencial para o sucesso da mesma. E aqui não falamos só dos atletas profissionais, situação mais mediática, mas que esconde o verdadeiro trabalho ciclópico que se relaciona com os funcionários do Sporting.

Depois de alguns funcionários terem mesmo acordado a saída do clube, exemplos de Hugo Porfírio e Diogo Matos, Bruno de Carvalho viu-se obrigado a anunciar o despedimento coletivo de, pelo menos, 30 elementos. Entre estes estarão quem ganha demasiado tendo em conta a produtividade evidenciada, bem como situação em que a redução de vencimentos não foi aceite, assim como cargos que deixam de ter razão de ser e, como tal, não são mais necessários para o Sporting Clube de Portugal. A novidade está na disponibilização, por parte do Sporting, de uma equipa de elementos especializados em Direito do Trabalho, que irão acompanhar e esclarecer todos os envolvidos nesta difícil situação.



Aqui chegados, há dois casos que muita tinta tem feito correr por parte da comunicação. Manuel Fernandes e Oceano são dois antigos capitães, verdadeiros sportinguistas, que também se encontram no lote de excedentários. Como frisei, o seu sportinguismo não está em causa, os dois já deram grandes mostras do seu amor pelo clube, aceitando até defendê-lo em situações muito complicadas como quando assumiram o comando técnico da equipa profissional de futebol em situações díspares.


Porém, a emergência financeira em que o Sporting vive atualmente obriga a fazer muitas escolhas. Manuel Fernandes era o elemento de ligação entre a equipa “B” e a estrutura do Sporting mas o seu vencimento é neste momento, proibitivo para o clube. Não se trata de nenhuma despromoção pelo não apoio ao agora Presidente quando ainda era candidato, mas sim de uma pura operação de matemática, não há dinheiro para pagar a Manuel Fernandes logo, este deverá entender essa mesma razão que o levará a sair novamente de Alvalade.

O caso de Oceano é diferente. Começou a temporada como técnico da equipa “B” e, com a saída de Sá Pinto, segurou o barco leonino como pode até á chegada de Franky Vercauteren. Passou para adjunto, cargo em permaneceu com Jesualdo Ferreira até ao final da temporada. A entrada de Leonardo Jardim para o comando técnico da nossa equipa na próxima temporada faz com que o técnico madeirense escolha os elementos com que se quer rodear para trabalhar de uma forma mais tranquila. Assim, Jardim optou pela saída de Oceano, com toda a legitimidade. Oceano é um grande sportinguista, mas como Manuel Fernandes, perceberá que, após ter feito o seu trabalho como pode, saindo agora do Sporting poupará o seu clube a nível financeiro, aumentando a sua sustentabilidade.

É injusto? É. Manuel Fernandes e Oceano não mereciam isto. Eles, mais do que muitos que durante anos estiveram dentro da estrutura do clube, mereciam lá estar, para transmitir a todos os atletas do clube o que é representar a nossa camisola e emblema. Agora, a situação financeira foi-lhes madrasta pois a sua manutenção, nos moldes atuais, acaba por ser insustentável e levará, juntamente com outros casos não referidos, a um piorar de situação.


Nota final: a notícia da penhora da Nova Expressão SGPS, detida por Pedro Baltazar, sobre o Sporting SGPS devido a uma dívida de 5,5 milhões de euros revela duas coisas. Em primeiro lugar, o tipo de negócios, denominado anteriormente como engenharia financeira, em que Sporting foi ator principal muito por culpa das pessoas que assim o dirigiam. O segundo ponto vai para a atitude de Pedro Baltazar. Queria ser Presidente do Sporting, mas todos agora sabem com que intenção. Tal como quando mencionei Nobre Guedes, faço um novo apelo. Peço a Pedro Baltazar para entregar o seu cartão de sócio, o Sporting Clube de Portugal não precisa de si.


Sporting não de Lisboa, mas de Portugal