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Recordar é viver. Take 2

por 15 de Maio de 2013Os textos do Damas0 Comentários

Todos os Sportinguistas têm as suas referências futebolísticas e a escolha há uns anos, em plantéis que tinham talento em abundância, era por vezes complicada. Nos 10 anos que Iordanov vestiu de leão ao peito, foram, felizmente, muitos, os grandes jogadores que passaram por Alvalade. Marco Aurélio, Valckx, Oceano, Vidigal, Figo, Acosta, Schmeichel, Pedro Barbosa, Amunike, Cherbakov, Beto, Phill Babb, Di Franschesci, Rui Jorge, são alguns dos exemplos. Foram todos peças importantes nas conquistas de títulos e foram igualmente nomes que tornavam automaticamente e indiscutivelmente, o Sporting como um adversário temível e respeitado. Estes foram grandes ídolos para a nação leonina. Contudo, os meus ídolos, nestes tempos de pré adolescência, eram: Krasimir Balacov, era de ficar deslumbrado com a categoria de Balakov. Era um número 10 de alto gabarito, um jogador com carisma e pinta de estrela; André Cruz, pela sua classe mundial, pela sua postura e pelos seus livres, fatais como destino!; Aldo Duscher, pela sua qualidade (como é óbvio!); mas, confesso que naquela altura, o estilo do número 5, com a sua fita na cabeça a fazer lembrar o Redondo do Real Madrid, era mais que um motivo suficiente para ser um dos meus preferidos; depois, Sá Pinto, pela garra e pelo amor que demonstrava, todas as vezes que envergava a verde e branca. Por fim, mas não menos valoroso neste leque de ídolos, figurou sempre o nome de Iordanov. 

O nome de Iordanov era sinónimo de luta, de alma, de vontade, de entrega e tantas outras coisas. O búlgaro ao serviço do Sporting conquistou uma taça de Portugal, uma Super Taça - que neste ano se jogou em Paris - e um campeonato. O antigo número nove leonino foi um exemplo de profissionalismo e, posteriormente, com o abandono de Oceano, tornou-se no primeiro Capitão de equipa estrangeiro. Frases como: "Ser capitão do Sporting é uma honra, mas também uma responsabilidade muito grande.” ;  “Capitão não é só para usar a braçadeira." ou "Na Bulgária a minha equipa é a seleção, não tenho clube. O Sporting é que é a equipa do meu coração”, deixam latente a forte ligação entre Iordanov e o Sporting.
O seu amor, entrega e devoção ao Sporting é incontestável e a maior recordação para todos os que viveram a conquista do título, é a da sua subida à estátua do Marquês do Pombal, para colocar um cachecol ao pescoço do leão daquele monumento. Na loucura dos festejos ficará para sempre como uma das imagens emblemáticas dessa grande festa leonina. Era um lutador incansável e o seu sportinguismo era comprovado cada vez que o nome do Sporting precisava de ser defendido. 

Mesmo após o erro colossal, que ainda hoje deve envergonhar Filipe Soares Franco e que inclusivamente obrigaram o recurso aos tribunais, as mais recentes palavras do antigo capitão leonino representam bem o exemplo e o respeito que ainda nutre pelo seu clube do coração: "O meu amor pelo Sporting é eterno. Tivemos problemas no passado, toda a gente sabe, chegámos a ir a tribunal, mas não esqueço o Sporting. Esteja onde estiver, é como o meu primeiro amor. As pessoas passam e o clube fica." 

Foram este conjunto de qualidades que fizeram de Iordanov um símbolo do Sporting. Mas foram, também, as suas qualidades enquanto homem que o fizeram superar a doença complicada de que foi vítima. A 5 de Maio de 2010 realizou-se (finalmente) a festa de despedida e no término desta nostálgica noite, Iordanov de microfone na mão e lágrimas a escorrerem-lhe pelo rosto, gritou: "Apoiem sempre o Sporting. Viva o Sporting!”.
Tenho a certeza absoluta que a maior parte do actual plantel leonino atravessa a porta 10A sem vergonha nem orgulho. É que para isso é preciso sentir o Sporting, é preciso soar e honrar a camisola, como tão brilhantemente o fez Ivaylo Iordanov.

Sporting Sempre.