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Peças de mobiliário

por 7 de Maio de 2013À saída do estádio0 Comentários

Sabíamos que não ia ser fácil. E não foi. Ainda que com a obrigação de ganhar, ficou provado que, por estes dias, jogar com este Paços, na Mata Real, é mesmo uma tarefa dos diabos. Mas, o embate pedia um outro Sporting: mais intenso, mais aguerrido e com níveis de concentração elevados durante os 90 minutos. 


Em campo, duas equipas muitos iguais – e que não conseguiram soltar-se das suas malfadadas pressões –, poucos lances de perigo e emoção menos que q.b.. Durante alguns períodos, a ideia que transpareceu foi a de que ambas as equipas estavam satisfeitas com o nulo. O Sporting apostava – e mal – no desaire mais do que certo do Estoril; o Paços contava com o ponto para manter o 4.º classificado a uma distância respeitável.

Mesmo que, a espaços, num ou outro apontamento ofensivo, os jogadores tenham dado um ar da sua graça – quase sempre em iniciativas individuais –, a verdade é que a turma de Alvalade raramente soube arrumar o jogo com o ímpeto de quem não teme o adversário e confia nos próprios atributos. Na cidade do móvel, ainda que criando as melhores oportunidades, no Sporting, alguns jogadores apresentaram a rapidez, a motivação e a solidariedade de uma peça de mobiliário e, ao não conhecer o historial de qualquer uma das equipas, seria difícil perceber, no campo, qual o conjunto de jogadores que representa e dá corpo a um clube de dimensão europeia e mundial.

André Martins. P. Ferreira – Sporting. 5 maio, 2013. Foto: zerozero.pt

André Martins, mesmo que envolvido pela rudeza do meio-campo dos castores, foi mais uma vez o ‘motorzinho’ e o desbloqueador que encontrou os poucos espaços deixados pela muralha amarela. O momento do jogo foi, porventura, a saída prematura aos 63 minutos, deixando a linha média entregue a Rinaudo e Adrien (!?), o que, como seria de prever, transformou o meio-campo num bloco menor, menos criativo e (ainda) mais lento. No onze, Schaars – outro dos substituídos aos 63’ – foi, finalmente, a novidade. Há muito que aguardava pelo regresso do holandês que, na época passada, foi um dos mais utilizados e que não raras vezes foi apelidado de pêndulo. Mas, pouco mais trouxe do que a lembrança de um passado recente. Sem brilho e sem capacidade de imprimir velocidade, nem nas bolas paradas soube fazer a diferença.

No final do jogo, Rinaudo atirou: «Perdemos um jogo num lance de bola parada, onde eles estiveram concentrados os 90 minutos e nós não. No futebol ganha quem mantém a concentração, porque um erro é suficiente para perder a partida, como aconteceu aqui». Para uma equipa que perde num lance – que mais parecia uma profecia – de bola parada, a incapacidade leonina em criar perigo em livres e cantos continua a ser gritante e, nos bastidores, parece não haver quem saiba ensaiar as peças.

Conclusão: não há como fugir ao assunto, o Sporting não esteve à altura das expectativas criadas ao longo das últimas semanas e, num final de tarde em que se esperava que a equipa colhesse os dividendos da evolução registada na era Jesualdo, os adeptos levaram na bagagem mais uma desilusão, para somar a muitas outras, durante este ciclo infernal que mais se assemelha a uma provação. Resta esperar o impossível, já que, tal como outros entretanto provaram, no espectáculo do futebol não se fazem pré reservas.



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