capell

O desperdício

por 12 de Maio de 2013À saída do estádio0 Comentários

É difícil viver com o facto de a vitória frente ao Olhanense não ter sido suficiente. Na próxima temporada, o Sporting não vai jogar qualquer competição europeia. Esta é uma verdade com que vamos ter de lidar durante os próximos tempos e, para muitos de nós, será uma digestão capaz de durar uma vida. 

No último em Alvalade, o Sporting fez o que lhe competia e venceu, mas a equipa realizou uma exibição à semelhança de muitas outras já destacadas esta época. Sem Dier, Labyad ou Rinaudo, Jesualdo apostou em Adrien e, na frente, deu a Carrillo a oportunidade de terminar a temporada em casa como titular. 


Se, por um lado, o português, obviamente sem deslumbrar, acabou por exibir-se um pouco melhor do que antes havia feito – talvez por ter jogado numa posição em que a lentidão e as carências técnicas são mais fáceis de mascarar –, o peruano foi mais, mas do mesmo. Carrillo não emprestou a entrega que o jogo – e principalmente o actual momento – exigia e, caso não jogue em Aveiro, a última imagem que teremos do “novo Nani”, será a de um jogador alheado, sem fulgor e esvaziado de todo aquele brilhantismo com que nos foi enchendo o ego. Resta esperar que o novo ciclo lhe traga a alegria que parece ter perdido. 


Diego Capel. Sporting 1-0 Olhanense. 11 maio 2013. Foto: zerozero.pt

O Sporting impôs o ritmo. A saber: uma oportunidade, duas, três, quatro, a posse de bola, o domínio, a circulação, os cruzamentos, as bolas paradas, o poste, mas, acima de tudo, a falta de eficácia ofensiva. E nem se trata de repisar o tema da falta de um avançado, já que o desacerto na finalização esteve um pouco por todo o lado.

Ainda que Rojo tenha tentado empolgar o grupo, a falta de inspiração no remate de elementos como Bruma ou Schaars deitou por terra mais uma possibilidade de um jogo tranquilo e, quem sabe, com direito a goleada, capaz de, por instantes infinitos, fazer de Alvalade uma casa onde, em fim de temporada, equipa e adeptos pudessem acender de vez o cachimbo da paz.

Só com a entrada e o golo – tirado a ferros – de Capel é que os milhões que acompanhavam a partida puderam encher o peito e respirar de alívio. Estava feita justiça, pensámos nós, ainda antes de suster o fôlego novamente – com as intervenções de Patrício – e sem a plena consciência de que, mesmo vencendo, sairíamos do jogo com a pior classificação de sempre e sem a posição que nos permitiria alguns milhões, de um outro verde, que tanto escasseia em Alvalade.

O Sporting somos nós.