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Estatuto ou Juventude

por 1 de Maio de 2013Os textos do Damas0 Comentários

A terrível temporada realizada pelo nosso clube leva a que façamos imperativamente uma análise sobre todos os aspectos que poderão implicar que tal temporada não se possa vir a repetir para os lados de Alvalade. Se a questão directiva parece ter sido resolvida com a saída da direcção de Godinho Lopes e a vitória nas urnas – respeitando a vontade dos sócios – de Bruno de Carvalho, bem como a questão da reestruturação financeira – que tanta tinta fez correr e que poucos acreditariam que Bruno de Carvalho conseguiria fechar -, agora urge olhar para a equipa de futebol profissional.

A contenção de custos é a expressão mais utilizada, logo secundada pela aposta na formação, exigida durante anos por muitos, mas inevitável nos próximos tempos. Aqui chegados, o tema que me leva a escrever este texto salta logo à vista. Há no plantel leonino dois jogadores capazes de ocupar a mesma posição, mas que têm rendimentos tão díspares quanto o é a sua folha salarial. Falo exactamente de Adrien e Zezinho.
O primeiro foi lançado na equipa principal em 2007/2008, pela mão de Paulo Bento, que optava por colocar o médio na posição mais defensiva do meio campo. Como não foi muito utilizado, optou por ser emprestado e, depois de uma experiência falhada no MaccabiHaifa de Israel, a temporada e meia que realizou em Coimbra, pela Académica, catapultou-o para um reconhecimento algo inesperado.
Principalmente na última temporada, sob o comando técnico de Pedro Emanuel, Adrien realizou uma temporada de bom nível, com uma primeira metade, essa sim, de grande nível, com oito golos em onze jogos, que o posicionou na mira de outros clubes. A sua renovação, que o colocou a receber cerca de um milhão de euros por ano, foi uma autêntica novela, mas que mais não fez do que confirmar que o português não é jogador para o Sporting. A sua temporada tem sido mesmo ao nível do que a equipa leonina tem feito, com pouca chama e intensidade. Já não é o jogador que era na Académica – ou a exigência é agora maior -, que pegava no jogo e ditava o tempo do mesmo, e que abanava o sector defensivo contrário com um remate espontâneo. No Sporting, o grande destaque é a sua lentidão de movimentos e processos, assim como as falhas de concentração que redundam em perdas de bola e passes errados.

O segundo, com menos quatro anos que Adrien, é também um filho da Academia de Alcochete. Estava Adrien a estrear-se pelos leões e ainda Zezinho representava o Sporting de Bissau, da Guiné-Bissau. Acabando a formação em Alcochete, o guineense subiu a pulso e em 2010/2011 já treinava com a equipa principal, tendo sido mesmo chamado por Paulo Sérgio para um encontro, apesar de não ter saído do banco de suplentes. Em 2011/2012, com a formação terminada, surgiu a oportunidade de alinhar por empréstimo no Atlético. Apesar de não ter deslumbrado, Zezinho revelou-se uma aposta permanente para as equipas técnicas que passaram pela Tapadinha.

A criação da equipa “B” permitiu a Zezinho evoluir mais perto de Alvalade e, depois de se ter destacado como um dos melhores elementos da equipa secundária, foi com naturalidade que Jesualdo Ferreira começou a chamar o jovem para fazer alguns minutos pelos mais velhos. Na estreia contra o Paços de Ferreira, a sua entrada mexeu com o jogo, e as entradas com Olhanense e Beira-Mar contribuíram para que o resultado não fosse alterado. Foi contra o Gil Vicente, e aproveitando a indisponibilidade de Adrien, que o internacional ‘AA’ guineense se cotou como um dos melhores em campo, por via de uma consistência defensiva e de um poderio físico que permitem ao jogador ser um elemento com excelente controlo e posse de bola, numa zona onde são raros os jogadores que o conseguem.
Porém, depois da derrota na Amoreira frente ao Estoril, Zezinho desapareceu inesperadamente das contas de Jesualdo Ferreira. Talvez por culpa da sua inexperiência, o professor decidiu colocar em campo outras opções que lhe dão mais garantias. Mas, Zezinho não se atemorizou, regressando à equipa secundária e mantendo o mesmo nível exibicional a que todos habituou.
Importa reflectir sobre esta situação. Adrien tem valor para alinhar no Sporting, depois do que fez na Académica, do que fez nesta temporada e de acordo com o que aufere todos os meses? E Zezinho, deveria ser aposta mais regular para o professor Jesualdo Ferreira, ou o seu amadurecimento lento será a melhor opção? Quantas mais situações haverá assim no plantel leonino?Boa questão para Jesualdo Ferreira responder no futuro.

 

Sporting não de Lisboa, mas de Portugal