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Espelho meu, espelho meu, haverá pior do que eu?

por 23 de Maio de 2013À saída do estádio0 Comentários



O jogo entre o Sporting e o Náutico enquadrava-se na cerimónia de inauguração da nova arena de Pernambuco e marcou também o regresso dos leões ao Brasil mais de 50 anos depois. O jogo terminou empatado a um golo e o único aspecto positivo, e digno de registo, que consigo descortinar nesta deslocação a Recife, terá sido a questão financeira – 300 mil euros. Nem o prestígio do clube, nem o nome do Sporting – não de Lisboa mas de Portugal – saíram reforçados ou honrados.

Tal como em toda a época, neste jogo o Sporting ficou aquém das expectativas. Metendo isto de forma lisonjeira, o Sporting, frente a um adversário nitidamente inferior, não apresentou um futebol organizado e continuado. A equipa jogou sempre em ritmo de passeio e com a atitude “descontraída” de quem já estava de férias, fazendo assim do “Oliveirense” brasileiro, um clube capaz de se bater com um Sporting debilitado. Sem espaço para samba, foi a melancolia do fado que se ouviu em terras brasileiras, os últimos 90 minutos foram o espelho de uma época. Resumindo, foi um Sporting à 2012/2013. Um Sporting sem brio, nem inspiração. Uma equipa com alguns jogadores a fazerem um “frete”, outros muito abaixo do que lhes é exigido e outros sem qualidade para jogar num clube com esta dimensão. Um Sporting fragilizado mas ainda assim enxovalhado pela arbitragem. 

Em relação ao jogo, aos 22 jogadores, pouca história há para contar. O Sporting entrou melhor, controlou o jogo, e chegou com naturalidade e alguma felicidade ao golo. Num dos raros lances com alguma velocidade, Ricky cruzou e André Martins tenta desviar para golo, acabando por ser o defesa do Náutico a introduzir a bola na própria baliza. Na segunda parte, a jogar com 10 jogadores, num clima pesado, com muito calor e humidade, o Sporting recuou e procurou sair em transições rápidas, não permitindo grandes oportunidades de golo ao adversário. Para lá do futebol, e para acabar a época em beleza, apareceu o senhor do apito. O Man of the Match participou de forma directa nos lances capitais da partida. Expulsou Miguel Lopes porque… não se sabe! E ofereceu à equipa da casa uma prenda, leia-se penalti, de inauguração.

Escreveu-se desta forma, sem honra nem orgulho, o pior capítulo até ao momento de uma história com 106 anos. Foi, infelizmente, uma época recheada de episódios caricatos, embaraçosos, e com alguns momentos confrangedores. É o ponto final ao massacre de que fomos alvo durante largos meses. Esta época terá que servir de exemplo para corrigir e aprender com o que de mau se fez financeiramente e desportivamente, porque fora isso, nenhum de nós quer voltar a falar mais deste ano. Agora é tempo de confiar nos novos ares que se respiram em Alvalade, é tempo de acreditar nesta nova cara do leão e acreditar que o Sporting se está a reerguer. Trabalho, união e Sportinguismo são as palavras de ordem para um futuro muito melhor que o presente.

Na pior das hipóteses, uma coisa é certa: pior que isto não pode haver!

Sporting Sempre.