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A cadeira de sonho

por 21 de Maio de 2013À saída do estádio, Os textos do Damas0 Comentários

As dúvidas sobre o futuro continuam, mas os últimos dias trouxeram algumas certezas. Mesmo com a vitória em Aveiro por 4-1, o Sporting alcançou a pior classificação da história; Jesualdo  no que identificou ter sido «dos momentos mais difíceis» da carreira, mas também «um momento de honestidade»  fica de fora das contas da estrutura; e Leonardo Jardim, que já assumiu ser leão, foi apresentado como treinador para os próximos dois anos, com o pré-aviso de que não vai ser possível «apontar metas a curto/médio prazo».


Jesualdo Ferreira e Leonardo Jardim.


Com a troca de treinador, Bruno de Carvalho voltou a romper com alguns traços que ainda restam do organigrama made in Godinho Lopes. Jesualdo, ainda que apenas desempenhando as funções de treinador da equipa principal, carregava aos ombros o fardo de ter sido uma das escolhas da anterior direcção. Com o rótulo de manager à inglesa de Godinho – e escolhido para iniciar uma nova era –, Jesualdo seria sempre uma sombra para os novos cargos directivos, pondo em causa a autoridade de certos centros de decisão.

A saída é, no entanto, um novo teste para Bruno de Carvalho. Jesualdo, para além de carregar o fardo, suportou também uma equipa completamente estilhaçada e remendou, como pôde, um plantel que, em Janeiro, juntava a posição incómoda no campeonato à saída de vários jogadores que, em setembro, se dizia, seriam essenciais.

E, porque se trata de uma decisão que é tudo menos unânime, é indispensável perceber se a não continuação subentende uma opção integrada no “novo ciclo”, se o presidente teve dificuldades em encontrar argumentos para convencer Jesualdo ou se, por outro lado, e tal como as palavras do antigo técnico o sugerem, a estrutura teve de ficar mais leve, não encontrando as «condições» para que, «no futuro», Jesualdo Ferreira não se sentisse «a mais».

Durante a passagem por Alvalade, nunca na carreira do técnico o epíteto de professor lhe assentou tão bem. Jesualdo não alcançou a tão apetecida Europa, mas deixa a casa muito mais arrumada do que a encontrou: com uma base de trabalho, também com algumas ideias por completar, mas, acima de tudo, com a mensagem de que, com a mesma matéria-prima, é possível fazer muito melhor.

Apresentação de Leonardo Jardim em Alvalade.


E, é isso mesmo que se exige a Leonardo Jardim. O treinador madeirense, não obstante a cisão que fará com o modelo do antecessor, terá obrigatoriamente de potenciar alguns dos argumentos já explorados por Jesualdo. Sem competições europeias no horizonte, Jardim – que até já assumiu que estar sentado no banco verde e branco é o cumprir de «um sonho» de criança  terá o tempo e a compreensão, por parte de adeptos e direcção, para fazer desabrochar os jovens rebentos leoninos. Neste ponto, acresce ainda a necessidade de, com as responsabilidades contratuais já resolvidas, concluir os ajustes desportivos, equacionando emprestados e dispensas, e tendo em vista uma pré-época tranquila e sem jigajogas de última hora – o que seria já uma vantagem em relação a alguns dos concorrentes.


Se há algo de que não se pode acusar Bruno de Carvalho, é de falta de decisão. Ainda é cedo para perceber se o caminho escolhido vai ou não dar frutos, mas o presidente tem provado que, com ele, o clube não irá viver de processos que se arrastam por mais tempo do que o estritamente necessário. Depois do processo de negociações com a banca, a saída de Jesualdo e a apresentação de Leonardo Jardim fizeram-se num ápice, sem lugar a bate-boca e novela à hora de jantar, tornando claro mais um exemplo do que têm sido estes primeiros momentos da nova liderança em Alvalade.


Adenda: dois golos de Adrien e dois golos de Ricky van Wolfswinkel não fazem esquecer a pior época da história, mas sabe muito bem ver o público a cantar e chegar ao intervalo a vencer por 3-0 e a pensar: “Está feito! Já posso jantar descansado”.

O Sporting somos nós.