rojo

“Sporting, assim você me mata”.

por 29 de Abril de 2013À saída do estádio0 Comentários

O jogo de palavras já não é novo e a rotulagem musical é duvidosa, mas, francamente, ainda que considerando “Sporting, I Love You, But You're Bringing Me Down”, recordando os extintos LCD Soundsystem, ou “Sporting Is Killing Me ”, trazendo à memória o falecido Gil Scott-Heron – duas opções bem mais empolgantes do ponto de vista melódico – Michel Teló vence, claramente e com justa causa, a batalha das graçolas. 


Sporting 2-1 Nacional. Foto: zerozero.pt
Ontem, a convidativa tarde de sol em Alvalade, frente ao Nacional, rapidamente se converteu em mais um teste ao coração de qualquer adepto – e até os não-adeptos o entendem. Em vez de um «jogo com duas partes distintas», como é comum dizer-se, na verdade, em Alvalade, o jogo teve três. A primeira, com 45 minutos de Sporting dominador e esclarecido durante a fase de construção, mas pouco na fase de finalização; uma segunda, de 25 minutos, com pouco Sporting e um Nacional a criar dificuldades; e uma terceira, de angústia e ansiedade, em que, como nos é familiar, é preciso gritar, praguejar, gesticular e acreditar, acreditar e acreditar. Não há volta a dar, esta época, o Sporting está fadado para os minutos finais.

Aos 5 minutos, a equipa já vence com brilhantismo. Aos 30, já lamenta as várias oportunidades perdidas, que sempre dariam para gerir a partida com outra tranquilidade. Aos 50, o adversário acorda e as pernas, fartas de driblar, já não respondem de forma disciplinada. Aos 75, o murro no estômago. E, bem perto dos 90, por fim, a glória – mais que merecida e transpirada, bem como alcançada de forma quase desesperada.

É verdade que, tal como Jesualdo o sublinhou, as «oscilações são normais quando se tem equipas jovens como esta». Contudo, a equipa teima em não conseguir momentos de libertação plena e parece não conseguir livrar-se de fantasmas antigos, mesmo perante um adversário de qualidade inferior e incentivada, a plenos pulmões, por 30 mil adeptos­, que fazem de cada jogo o renovar de uma injecção de moral verde e branca.

Do lado do Nacional, no final do jogo, Manuel Machado constatou que «O Sporting está numa fase em que na parte final consegue fazer golos. É um pouco injusto (…)», diz. À semelhança da jornada passada, o adversário voltou a recorrer à ocultação das evidentes limitações próprias, como um atirar de areia para os olhos dos que não assistiram à partida – porque apenas esses poderão ser iludidos. Injusto é o modo como o desempenho destes jovens leões tem sido esmiuçado, jornada após jornada. Até por muitos de nós que, não raras vezes, injustamente exigimos 90 minutos de pura perfeição.

O Sporting somos nós.