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“Só eu sei…”

por 27 de Abril de 2013Os textos do Damas0 Comentários

O silêncio marcava o jogo. Nada se ouvia das bancadas: nem vozes, nem tambores, nem palmas. As bandeiras estavam em baixo. Nos rostos via-se a tristeza de quem se cansou de lutar, desiludidos por dar tudo a quem nada oferece em troca. A partida estava a chegar ao fim e seria mais uma perdida sem glória.

Substituição. Entra um desconhecido, um garoto. Ninguém sabe quem é, pelo que não lhe é dada qualquer importância. Não será ele a mudar este jogo, já tão perto do fim, obviamente perdido.

O garoto pega na bola. Finta um, dois, três jogadores adversários. Faz um passe magistral a rasgar a defesa contrária… mas o avançado falha no momento final.

As bancadas rompem o silêncio. Esta primeira jogada não mudou rigorosamente nada no resultado do jogo, mas entusiasmou o público. Talvez esteja ali, naquele garoto desconhecido, o futuro da equipa. Por entre alguns aplausos, um adepto entoa timidamente “Lá lá lá lá lá lá lá…” mas logo é interrompido. Na bancada há quem não queira esse cântico. É velho e ultrapassado, dizem eles. Não se podem agarrar ao passado.

Nova jogada do garoto. Agora é mais difícil ter sucesso, pois os adversários já o conhecem. Viram as dificuldades que o garoto causou na sua primeira investida e não o podem deixar repetir. Vale tudo para o parar, seja pela agressividade, pela força ou pela intimidação, alguém tem de impedir o garoto de chegar à baliza contrária.

Tentativa em vão. O garoto, o desconhecido, driblou todos os obstáculos e fez um GOLO de levantar o estádio. O público levantou-se e acreditou nesta nova esperança. Ouviram-se palmas, tambores, gritos de incentivo. As bandeiras subiram, bem alto. Em direção à vitória ouvia-se “Lá lá lá lá lá lá lá… Lá lá lá lá lá lá lá, força SPORTING allez, lá lá lá lá lá lá lá, sempre contigo allez, lá lá lá lá lá lá lá…” GOLOOOOO!! O garoto volta a marcar e a partida estava ganha para o SPORTING!


A reviravolta foi feita nos momentos finais. Não só no resultado, mas no rumo da equipa e na esperança dos adeptos. Estes, agora unidos, acreditavam. Os festejos do golo cessaram para darem lugar a um grito uníssono: “SÓ EU SEI… PORQUE NÃO FICO EM CASA!!”

No final de contas, tinha sido só uma vitória. O campeonato é grande e havia um longo caminho a percorrer. Mas, mais do que no campo, deu-se uma vitória na bancada. O cântico do passado, velho, foi recordado, através da alma, coração e irreverência daquele garoto. Fazia recordar memórias e sentimentos de glória e esperança.

Depois do apito final, o garoto ali ficou, em campo. A pular e a festejar como um adepto. Porque só eles, adeptos, sabiam o porquê de irem a Alvalade. Só eles, os adeptos, voltaram a saber o porquê de não ficarem em casa.

Sporting até ao tutano